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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 193

Capítulo 193

Derrick

Corri para dentro da casa assim que fui liberado.

Rúbia estava no sofá com a Mia enroscada no colo, o mordomo empurrando o carrinho de Andrew aos poucos pelo corredor, como quem insiste em deixar tudo igual. A visão delas me desmontou um pouco: a menina com os adesivos multicoloridos no braço, a mãe com o rosto pálido mas firme, e aquele bebê que, mesmo acordado, tinha a calma de quem acabou de chegar num mundo que ainda precisa aprender a ser justo.

— Como estão? O médico já examinou?

Rúbia levantou o olhar devagar, tentou sorrir.

— Sim, ele veio. Está tudo bem com essa moça. — fez um gesto com a cabeça para Mia. — Disse que ela é muito corajosa.

— Claro que é. Eu concordo com ele.

Mia me mostrou o braço com orgulho infantil, como se tivesse conquistado uma medalha.

— Papai! Eu ganhei adesivos. — falou, e a vozinha quebrou minha armadura.

Peguei o braço dela na minha mão e senti o roxo começando a surgir, um mapa de contusões que me queimou por dentro.

— Isso é... machucado? — comecei, achando a palavra errada para o que queria dizer.

— Sim querido. Ele arranhou bastante ela. Está ficando roxo o bracinho esquerdo. — Rúbia falou, tentando esconder o tremor na voz com uma prática que eu reconhecia: a prática de quem se acostumou a erguer muro quando o mundo ameaça.

O sangue fervilhou em mim de novo. A vontade de arrancar aquele homem do inferno e fazer o mundo pequeno para ele era uma mão que batia no peito o tempo todo.

— Vontade de ressuscitar aquele maldito só pra matar de novo. — sai de mim num sussurro, sem cerimônia.

Rúbia fechou os olhos por um segundo. Ela sempre foi a voz do remédio após a ferida: direta, mas sincera.

— Derrick... Por que não disse que a Mia corria risco? Talvez eu pudesse ter cuidado melhor... — culpou-se, e aquela culpa me doeu mais do que o resto.

Nesse instante Luca entrou.

— Fui eu que pedi. — disse ele, seco. — Foi uma ordem. Você ficaria nervosa por tempo demais.

— Certo, chefe. Você tem razão. — Rúbia murmurou, entregando-se sem discutir. Há coisas que, naquele universo, é melhor aceitar do que resistir.

Rúbia encostou a cabeça no meu ombro. O calor dela me trouxe de volta ao que importa. Não trocaria aquilo por nada. Por isso mesmo a raiva permanecia: não por mim, mas por eles, por tudo que eu queria prometer e que não sei prometer sem quebrar regras.

Fomos pra casa. Enfim.

Pra casa 1

Pra casa 2

Pra casa 3

Levantei-me devagar, ajeitei a manta, olhei para Rúbia. Dei-lhe um beijo úmido na testa, daqueles que selam mais que palavras.

— Vou ficar aqui. Durma. — falei ao ver seu semblante cansado.

Ela fechou os olhos e deixou-se ir.

Apaguei as luzes do corredor e fiquei sentado no escuro, os sons da casa agora ampliados: o tic-tac, o respirador do bebê, a respiração regular de Mia. Fui me permitindo — por pouco tempo — a sensação de que, ainda que por enquanto, aquilo bastava.

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