Lavínia Paz estava completamente confusa, ainda sem entender o que estava acontecendo.
— O quê? — perguntou, surpresa.
— Você acabou de me chamar de tio? — O tom de Gustavo Marques parecia ligeiramente magoado.
Lavínia ficou paralisada por um instante, só então percebendo o significado das palavras dele.
Apertando as mãos, o rosto dela se tingiu de vermelho, e respondeu, tímida:
— Então… devo te chamar de marido?
Assim que terminou a frase, Lavínia sentiu o calor subir pelo corpo, com o rosto inteiro ardendo.
Antes, ela o chamava de “marido” quando Gustavo ainda estava em estado vegetativo; afinal, ele não podia ouvir nada naquele tempo.
Mas agora, com ele ali, vivo e diante dela, era impossível não se sentir constrangida. Afinal, antes ele era, ao menos em nome, seu tio, alguém da mesma geração de seu pai.
Gustavo parecia bastante satisfeito e assentiu, sorrindo:
— Certo, quando eu estiver com dificuldade para andar, vou precisar que minha esposa me ajude a tomar banho.
— To… tomar banho? Eu e você? — Lavínia gaguejou, as mãos apertando nervosamente a barra da blusa.
Gustavo se divertiu com o jeito assustado e hesitante dela:
— Sim, se você quiser, podemos até tomar banho juntos.
— Não precisa! — Lavínia recusou imediatamente, ponderando logo em seguida:
— Quem sabe… eu possa contratar um cuidador para te ajudar com o banho?
— Só se ele estiver com desejo de morrer! — respondeu Gustavo, deixando clara sua recusa.
Lavínia engoliu em seco, pensativa por alguns segundos:
— Eu não sou profissional nisso…
— Na época em que eu estava em coma, não era você quem cuidava de mim? — Gustavo arqueou uma sobrancelha, sugerindo que ela era mais do que capaz.
Lavínia cobriu o rosto com as mãos, lembrando que, naquele período, ele era como um “belo adormecido”, imóvel e silencioso.
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