Dentro do carro, Daphne já tinha notado Florence do lado de fora e, de propósito, aproveitou a ocasião para se inclinar e tentar beijar Lucian, bem na frente de Florence.
Ela queria que Florence entendesse de uma vez: dormir com Lucian não queria dizer nada, porque, no fim das contas, era ela, Daphne, quem Lucian escolhia.
Mas, antes que o beijo de Daphne chegasse ao rosto de Lucian, ele ergueu o braço e bloqueou o avanço dela, afastando-a com um gesto sutil.
Daphne ficou alguns segundos paralisada, depois deixou escapar um olhar magoado:
— Lucian, o que foi?
Lucian puxou um lenço de papel, limpou o local da manga onde ela encostou e falou com um tom despreocupado:
— Essa cor de batom não combina com você.
Na mesma hora, Daphne empalideceu, levou a mão aos lábios e apertou forte o tecido do vestido, tentando disfarçar o incômodo.
Lucian lançou um olhar de lado:
— Tá nervosa por quê?
Daphne se forçou a relaxar, mesmo estando visivelmente abalada:
— Não é nada, acho que exagerei no café hoje à tarde. O estômago ficou meio embrulhado. E, bom, entre colegas, às vezes é preciso manter as aparências e levar um cafezinho.
— Ah, é? Eu pensei que eu é que tinha que manter as aparências com seus colegas.
Lucian jogou o lenço no lixo, a voz baixa, mas tão firme que o silêncio no carro pareceu comprimir o ar, dificultando até a respiração de Daphne.
Ela apertou ainda mais os lábios, o batom vibrante se desfez quase todo, deixando só um resto manchado, que fazia contraste com o tom pálido da boca.
Nada passava despercebido por Lucian, nem mesmo o fato de Daphne ter usado o nome dele para bancar café para os colegas.
Daphne tentou remendar a situação:
— Lucian, a gente é noivo, só queria mostrar pra todo mundo o quanto você é atencioso comigo. Eu sou mulher, é normal ter um pouco de vaidade. Isso não faz mal a ninguém.

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