Ele ergueu a mão para levar o cigarro aos lábios, e a fumaça branca que escapava formava uma espécie de máscara, escondendo qualquer traço de sua expressão.
No silêncio que se instalou entre eles, os olhares se cruzaram. Florence sentiu o peito vazio por um instante. Seus dedos se contraíram levemente enquanto ela forçava a si mesma a manter a calma.
Lucian abaixou o olhar, apagando o cigarro no cinzeiro ao seu lado.
— Deixe-a ir.
Florence desviou o olhar para a água que escorria das folhas das plantas ao seu redor. Suas palavras saíram frias e cortantes:
— Obrigada por tudo, tio. Mas, daqui em diante, não preciso mais da sua ajuda.
A frase pairou no ar como uma lâmina fria. Lucian parou o movimento de apagar o cigarro por um breve momento, mas logo voltou sua atenção para o que fazia. Seus olhos escuros seguiram o vulto de Florence enquanto ela se afastava, até que o som do celular o trouxe de volta à realidade.
— Ainda está vivo? — A voz de Lavínia soou do outro lado da linha.
— Não vou morrer tão fácil. — Respondeu Lucian, com frieza.
— Você é impressionante. Sempre sabe o que vai acontecer. Alguém obviamente perdeu o controle, né? Aposto que sua sobrinha está morrendo de pena de você agora. — Disse Lavínia, com um tom carregado de ironia enquanto lixava calmamente as unhas.
Lucian pressionou os dedos contra a testa, como se tentasse aliviar uma dor interna.
— Ela acabou de traçar uma linha bem clara entre nós.
Lavínia soltou uma risada alta.
— Hahaha... Que tal desistir dela e ficar comigo? Eu prometo cuidar bem de você.
— Dispenso.
— Típico de você. — Respondeu Lavínia, rindo. — Mas, olha, ela fugiu de você, hein. Bem feito! Quem mandou ser tão teimoso?
— Ela não vai a lugar nenhum.
— Nossa, até eu tenho que bater palmas para essa sua autoconfiança. O grande CEO vai virar o quê agora? Um perseguidor? Se puder, divida um pouco do seu orgulho com a sua teimosia, por favor.
— Apenas mantenha os olhos abertos. Vou desligar.
Lucian encerrou a ligação sem esperar resposta. Ele tomou dois goles de café antes de ir até o bar no canto da sala. Depois de observar as opções por alguns segundos, escolheu a garrafa com o aroma mais forte.
…
Enquanto isso, Florence havia voltado ao quarto de Lyra. Ao entrar, viu que Lyra e Bryan estavam sentados próximos, compartilhando uma tigela de frutas. Ao notarem sua presença, os dois se afastaram discretamente, quase como se estivessem envergonhados.
— Como está o Lucian? — Perguntou Bryan, preocupado.
Florence colocou a mochila sobre o ombro e respondeu sem rodeios:
— Ele não vai morrer!

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