O motorista parou o carro imediatamente no acostamento, mantendo o olhar fixo na estrada, sem desviar nem por um segundo.
Lucian soltou uma fumaça fina entre os lábios e disse, com indiferença:
— Eu já te avisei para não passar dos limites. O que você queria, já conseguiu. Pode descer. O seu motorista também veio atrás o tempo todo.
As palavras de Lucian pegaram Daphne completamente desprevenida. Ela tinha contado para ele que o motorista dela tinha tido um problema, só para convencê-lo a buscá-la pessoalmente.
Ser desmascarada assim foi como levar dois tapas secos na cara. O rosto dela queimava de vergonha, mas, só de pensar em sair do carro daquele jeito, ela não conseguia aceitar aquilo.
Ela se recusava a acreditar que Lucian não sentia nada por ela. Mesmo que não fosse amor, pelo menos desejo, não? O que é que Florence tinha que ela não tinha?
Com o coração acelerado, Daphne se jogou sobre Lucian, abraçando-o com força, quase chorando, e se aninhou no colo dele, sem se importar com a dignidade.
— Lucian, não faz isso comigo. Eu te amo de verdade.
Lucian manteve o olhar frio, distante, sem demonstrar qualquer emoção. Ele apenas olhou de relance para Cláudio, que estava no banco da frente.
Cláudio entendeu o recado, desceu rapidamente e abriu a porta de trás, “convidando” Daphne a sair do carro.
Não adiantou Daphne bater no vidro, gritar ou se debater. O carro arrancou, deixando-a para trás, coberta de raiva.
Cláudio deu uma olhada pelo retrovisor, preocupado:
— Sr. Lucian, a Srta. Daphne ainda está correndo atrás. Se alguém fotografar isso...
— Em menos de dez segundos, ela já vai estar no outro carro indo embora. — Lucian respondeu sem emoção, deslizando o dedo pelo celular. Ele só desligou o aparelho depois de confirmar que Daphne já tinha apagado a foto do Instagram.
Cláudio, no começo, não acreditou nessa confiança de Lucian. Para ele, Daphne parecia mesmo apaixonada.
Só que, poucos segundos depois, Daphne cobriu o rosto com as mãos, correu escondida para o próprio carro, morrendo de medo de ser vista.
Cláudio ficou surpreso. Daphne não aguentou nem cinco segundos, quanto mais dez.
Ele comentou, ainda meio incrédulo:
— Sr. Lucian, então o senhor não sente nada pela Srta. Daphne...
Lucian apagou o cigarro:
— No dia em que ela deveria falar de sentimentos, a primeira palavra dela foi dinheiro. Comigo, isso nunca vai virar amor.

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