A chuva caía fina e constante enquanto Bryan atravessava apressado a porta da casa. Ele deu de cara com Florence, que estava parada ali, como se estivesse presa em seus próprios pensamentos.
— Bryan.
— Florence, você está aqui. Por que está parada na porta? Entre e se sente.
— Bryan, há pouco eu e minha mãe vimos você indo para a capela da família. Aconteceu alguma coisa? — Florence perguntou com cautela, escolhendo bem as palavras.
Bryan a observou por um instante, depois suspirou levemente.
— Flor, se você quer mesmo saber, vá até o quarto do Lucian. Lá você terá sua resposta.
Seu olhar carregava um significado oculto, quase como se quisesse alertá-la de algo. O coração de Florence começou a bater mais rápido. Ela sentiu as pernas ficarem fracas e precisou se apoiar no batente da porta. Seus dedos apertaram a madeira com tanta força que parecia que iam perfurá-la, mas ela não sentiu dor alguma.
Depois de alguns segundos de silêncio, ela balançou a cabeça, como se estivesse rejeitando a ideia.
— Deixa pra lá. Não tem necessidade.
Não importava o que tivesse acontecido na capela da família ou o quão turbulento havia sido o processo, pelo menos o objetivo dela havia sido alcançado. Lucian havia sofrido uma perda significativa, e isso era suficiente.
Bryan notou a mudança em Florence nos últimos tempos. Ele franziu levemente a testa, intrigado.
— Flor, o que está acontecendo com você? Por que você tem tanta resistência ao Lucian? Ele não é tão terrível quanto você pensa.
— Bryan, já chega. — Florence desviou o olhar, virando-se para o lado, claramente não querendo prolongar a conversa.
Bryan, no entanto, continuou. Sua voz estava carregada de preocupação.
— Lucian não é burro. Você acha que ele não percebeu nada? Sua aparição repentina no Grupo Avery... Você acha que ele não entendeu?
As palavras dele fizeram Florence congelar. Seus dedos, que estavam entrelaçados, ficaram brancos de tão apertados.
Ela sabia que tudo tinha ocorrido de maneira muito fácil. A atitude de Lucian com ela também havia sido diferente, quase desconcertante. Lucian fez muitas perguntas estranhas, como se perguntando se ela tinha ido lá especialmente para vê-lo.
Pensando nisso, Florence abaixou os olhos, um misto de confusão e desconforto a invadindo.
Enquanto ela lutava internamente, Lyra apareceu trazendo uma xícara de café e olhou para o porta-guarda-chuvas junto à porta.
— As sombrinhas estão ali. Não vá sair na chuva de novo.

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