Florence sentia a mente completamente confusa ao pensar na sua vida passada. Primeiro, havia a mudança de Ronaldo. Depois, o silêncio de Lucian sobre os castigos que sofria.
O que era verdade? O que era mentira?
Ela encarou as cicatrizes que cruzavam as costas de Lucian e, mordendo os lábios, decidiu perguntar com cuidado:
— Tio... Theo te pune assim com frequência?
— Não sou burro. — Respondeu Lucian, com indiferença.
— Então, em que situações você acaba sendo chicoteado dessa forma?
— Quando alguém não usa a cabeça.
Lucian era inteligente demais, sempre soube como proteger a si mesmo. Então, por que ele se machucava tanto por causa dela?
Enquanto Florence tentava entender, Lucian virou o rosto na direção dela.
— Florence.
— Hm?
— Já terminou de me tocar?
Ao ouvir isso, Florence despertou de seus pensamentos e percebeu que sua mão ainda estava acariciando as costas dele. Ela recuou rapidamente, sentindo o rosto queimar de vergonha, e abaixou a cabeça, procurando algo no kit de primeiros socorros.
— Bom, apesar do sangue, o corte não é tão profundo. Vou passar um remédio, mas não tenho um curativo tão bom quanto aquele adesivo especial de cicatrização.
— Está no bolso do meu casaco. — Disse Lucian, com naturalidade.
Florence parou por um momento, surpresa. Ela pegou o casaco no sofá e encontrou algumas unidades do adesivo no bolso. Ele estava tão preparado que só podia ter feito de propósito.
Irritada, Florence pegou um pedaço de algodão embebido em álcool e avisou:
— Vou desinfetar o corte. Pode doer um pouco. Se não aguentar, pode gritar.
Sem esperar resposta, ela pressionou o algodão no corte.
No entanto, antes que pudesse reagir ao silêncio dele, Lucian se virou de repente, segurando-a com firmeza. Ele a puxou para seu colo, prendendo-a ali. Com o corpo quente e o olhar intenso, ele murmurou:

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