Julieta fica surpresa; ela nunca pensou que Max diria algo assim.
— Minha solução é me afastar de você, Max; eu não sou uma coisa, sabe? — diz Julieta, segurando firmemente o nó de sua toalha — Eu sou uma pessoa que sente e sofre, e agora eu quero você longe da minha vida. Você é quem piora tudo.
As lágrimas queriam escapar dos olhos de Julieta, e Maximiliano percebe; era melhor visitá-la enquanto ela dormia.
— Eu só quero que você entenda — Max tenta alcançá-la novamente, e ela se afasta desta vez, o que lhe causa uma profunda dor.
“Como faço ela entender sem dizer toda a verdade?”, pensa Max.
Ele só quer ficar com ela o tempo que lhe resta; se por algum milagre ele se salvar, ele pode se divorciar daquela louca e se casar com ela. Mas parece mais cruel se casar com ela e deixá-la sozinha pouco depois.
— Isso é um erro; estamos comprometidos… você vai se casar, Max — Julieta faz o favor de lembrar.
— Liliane é… — Max não encontrava as palavras, e seus ombros caíram, sentindo-se derrotado — É complicado.
— Eu sei quem ela é para você e… — acrescenta Julieta — Callum Rutland é minha saída daqui, para me afastar de você; eu mereço mais do que isso, e eu percebi isso, e não vou recuar.
“Eu sei”, pensa Max.
— Eu não vou deixar você ir embora com outro homem; você é minha — diz Max — Você não vai se casar com aquele cara.
Ele se aproxima dela e a beija intensamente; então, assim como chega, ele vai embora e se afasta dela. Ele pega as flores do chão e as coloca em suas mãos antes de ir embora e fechar a porta com um suave clique.
— Ela não pode se casar com ninguém mais — diz Max enquanto desce as escadas — Eu vou começar o tratamento, e talvez eu não precise de um transplante.
Julieta fica parada na entrada de sua casa, olhando para as flores… suas favoritas.
Uma lágrima escorre, escapando de onde ela as tinha confinadas, e ela decide que é melhor assim. Que ele vá embora de uma vez. Se ela tiver que mudar de prédio, ela o fará, mas ele não pode mais perturbar sua paz.
— Eu não vou voltar, Max — ela diz olhando para os belos lírios — Acho que não há nada que me faça voltar.
Max nunca havia lhe dado flores.
Por que fazer isso agora?
Seu pai está muito feliz com as notícias que saem dela e de Callum, mas ela se sente estranha.
Continuar com esse casamento é a coisa certa a fazer?
A semana passou voando, e cada vez que Julieta sentia que dormia bem era uma noite que ela passava nos braços de Max sem que ela soubesse. Ela pensava que eram sonhos bastante vívidos, mas não que ele entrava em sua casa todas as vezes para dormir juntos.
Maximiliano sabia que tinha que parar de fazer isso. Seu tratamento estava prestes a começar, e um dia ele não teria forças para acordar cedo e ir embora, e ela enlouqueceria, e pior… ele não quer que ela o veja assim.
— Você ainda vai às compras? — pergunta Isabel a Julieta assim que ela atende sua ligação.
— Claro que sim; eu passo por você, e vamos a um shopping que eu gosto muito — garante Julieta.
— Ontem foi a audiência de Brigitte Hawks — sussurra Isabel — Dizem que ela saiu sob fiança.
Julieta sabia; ela foi com seu advogado, mas ficou bem atrás na sala; Brigitte Hawks parecia abatida, mas ainda altiva. Julieta não se importou; ela tinha que pagar, e era tudo o que Julieta queria saber. O julgamento continuaria, mas como a mulher não tinha ficha criminal, ela foi libertada sob fiança de meio milhão de dólares e deixando seu passaporte no tribunal.
— Sim, eu vi — Julieta ficou mais séria com esse assunto — Bem, eu passo por você em duas horas, e vamos comprar aquele vestido.
Lembranças amargas chegam a Isabel de como ela mesma tratava Julieta há menos de um mês; como ela a perdoou tão facilmente? Depois de tornar sua vida mais difícil no trabalho.
— Eu não tenho medo dela; eu a respeito, e é bom senso. Você certamente não conseguiria fazer esse trabalho que ela fazia — Isabel a defende.
— Você está dizendo que não consegue fazer o trabalho de Julieta Persson? — ela zomba novamente.
— Eu estou dizendo que é um trabalho muito difícil e que ela merece crédito pelo que fez — Isabel se sincerou — Agora que estou em seu lugar, eu tiro o chapéu para ela, e tenho meu respeito por ela.
A cara de incredulidade do grupo era fascinante, mas então elas começaram a rir. Isabel apenas deu de ombros e começou a terminar alguns documentos que ela precisava ter prontos para o presidente Hawks, e então ela poderia ir às compras.
Julieta, por sua vez, havia decidido que não queria mais depender de ninguém para andar pela cidade; ela estava no metrô porque gosta, e por mais que Maximiliano pedisse que ela aceitasse um carro que ele havia lhe dado há dois anos, ela nunca quis usá-lo. Ela não vai usá-lo.
Ela o vendeu há alguns dias por um preço de ocasião e foi direto para a concessionária; ela escolheu e pagou um muito bonito de cor vermelha brilhante que a deixou louca e ela adorou. Quando ela chegou para buscar Isabel, Isabel assobiou baixinho, admirando seu novo carro.
— Uau… que carro, garota! — ela diz emocionada — É incrível esses carros… é que… — Isabel fica impressionada — É um G-Wagon 2024… que maneira de comprar um Mercedes, garota.
Não só Isabel saía cedo às sextas-feiras, mas também todo o pessoal. E eles viam a caminhonete de Julieta com inveja e emoção velada.
— O que você está esperando? — pergunta Julieta, piscando para ela.
— Uau! Olha o que atrai as moscas — comenta Iris com inveja.
— Bem, te trouxe aqui, então eu acho que você saberá, não é? — responde Julieta sem se importar.
Julieta e Isabel caem na risada e entram no carro enquanto Iris e as outras ficam boquiabertas no local.

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