Marcelo levou algumas horas para obter as informações verdadeiras e necessárias para Maximiliano, e ficou tão surpreso quanto ele está agora, mas a verdade era o que era, e ele não podia negar.
— O que é isso? — perguntou Max, absorto lendo as provas.
Agora as coisas faziam um pouco mais de sentido.
— Você deveria tomar um banho, vou preparar um café bem forte — disse Marcelo, como uma espécie de ordem.
Marcelo já trabalhava com ele há muitos anos e já parecia uma espécie de amigo para Max, então, em seu estado atordoado, ele obedeceu. Depois de ficar um pouco mais lúcido, ele continuou lendo as informações e entendeu cada vez menos… Ela… não era quem dizia ser.
— Você sabe por que ela mudou de nome? — perguntou Max, sem deixar de olhar os documentos reais de Julieta… não, Juliette.
Seu nome verdadeiro era Juliette Alexandrina Beaumont Persheim.
Ela usou apenas uma variação de seu segundo sobrenome!
Agora Maximiliano se pergunta por que não investigou mais quando a conheceu; ele era muito rigoroso com esses detalhes quando precisava ter pessoas próximas, mas ela já havia sido estagiária por alguns meses; quando entrou na empresa, o RH apenas verificou se ela era estudante na carreira que eles solicitavam, ela não tinha antecedentes criminais; então eles não se preocuparam, e ele também não. E menos ainda ao ver aquele rosto inocente e aqueles belos olhos verdes na primeira vez que se encontraram. Ele ficou enfeitiçado desde a primeira vez que a viu.
— Só posso saber o que está escrito, Maximiliano. Acho que é algo que você deve perguntar a ela diretamente — disse Marcelo — De qualquer forma, isso não é nada. Não importa.
Maximiliano ficou lívido ao ouvir Marcelo; como assim não importava?
— Como assim não? — questionou Max, começando a ficar com raiva e a corar. Ele estava com raiva, e infelizmente Marcelo estava em seu ponto de mira, mas ele nem se importou.
— Você vai se casar com a senhorita Liliane, e ela com um duque famoso e misterioso — disse Marcelo, com desgosto, sem se mover do lugar — Então… o que você se importa com o nome dela ou se ela tem dinheiro?
— Porque sim, e ponto final — respondeu ele, sem querer ceder.
— Conte a ela e pare com essas bobagens — aconselhou Marcelo, indo embora e deixando Max mais confuso do que alguns momentos antes.
“Contar a ela é uma opção?” ele se perguntou.
Seu cachorro, angustiado por seu dono, se aproximou dele e colocou o rosto em suas coxas; automaticamente, Max acariciou atrás de suas orelhas para acalmá-lo enquanto ficava pensativo. Seu cachorro era o único que não lhe dizia que ele era um mau homem.
***
Liliane Williams caminhava com altivez pela delegacia 501, seguindo o policial que a guiava até a cela de Brigitte; ela não gostava do lugar; era deprimente e feio, mas ela precisava mostrar apoio.
— Você tem vinte minutos — disse o policial, e se retirou.
Quando ele se moveu, ele deixou Brigitte visível, com olheiras no rosto, o cabelo despenteado e nada a ver com a mulher que estava constantemente perfeita.
— Ainda bem que você veio — disse Brigitte, com um tom irritado.
Ela havia passado vários dias presa e estava prestes a enlouquecer.
— Você não me deu outra opção — respondeu Liliane, irritada por estar em um lugar assim.
— Não diga bobagens; Max não se importa com Julieta; ela não é ninguém! — disse a mulher desesperada por acreditar na mesma coisa que dizia.
“Ela é apenas uma assistente e uma vadia!”, pensou Brigitte em pânico.
O que diabos mudou?
— Não é? Pare de enganar a si mesma! — exigiu Liliane — Me disseram que isso seria moleza, e agora acontece que aquela mulher é um problema para todos, mas especialmente para Max e para mim.
Julieta Persson está arruinando todos os seus planos.
— É, eu deveria ter me livrado dela anos atrás; veja onde estou por causa dela — disse Brigitte sem admitir sua parte na culpa do que fez.
— Acho que nem seu filho percebe que está apaixonado por ela, e devemos jogar a nosso favor e adiantar o casamento — contou ela seus planos.
Liliane precisava se antecipar aos fatos.
— Ele não está apaixonado por ela! — disse Brigitte furiosa; ela não conseguia aceitar essa nova realidade — Ela não é ninguém; Julieta é apenas uma pobre que se faz de sofredora. Ela não tem o status que meu filho precisa.
— No dia em que ele perceber que ama aquela mulher, ele já deve ser meu marido, e eu poderei cumprir minha parte do acordo — continuou ela com seu plano, sem dar ouvidos a ela — Quanto mais cedo você perceber, melhor para nós; pare de pensar em coisas estúpidas e sejamos mais inteligentes.
Liliane já tinha um plano funcionando em sua mente; ela o colocaria em prática hoje mesmo e sairia com o que queria, como sempre.

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