Ao fechar a porta para Maximiliano, ela se encostou nela e começou a chorar até cair no chão, sentindo seu coração se partir novamente. Todo o seu corpo implorava para que ela abrisse a porta e o impedisse. Ela não o fez.
“Será que ele realmente sentia falta dela?” Julieta se perguntava repetidamente.
Julieta estava com tanta vontade de gritar para ele voltar, mas Tomás estava certo, e ela não podia cair em suas redes novamente. Então, ela abraçou as pernas e continuou chorando mais forte.
— Acabou, acabou — repetia Julieta várias vezes.
Ela já havia entendido a verdade de sua situação: Maximiliano não a amava, nunca a amou; ela não se iludia mais com isso, então só restava seguir em frente com sua vida; após o julgamento, ela iria para Londres, de onde nunca deveria ter saído. Seu pai estava certo, era hora de crescer.
Julieta não sabia em que momento parou de chorar, mas quando o fez, sentia sua cabeça latejando; foi se deitar, arrastando os pés, sentindo os olhos muito inchados, e continuou chorando por mais um tempo até adormecer completamente; sentia-se como se estivesse de luto; chorando um amor que sempre foi unilateral; que patético, não?
Ela se sentia patética.
No dia seguinte, quando conseguiu sair da cama, colocou uma bolsa de gel frio nos olhos para tentar diminuir o inchaço; tomou um café da manhã rápido com uma torrada com geleia e seu café com leite, mas este tinha um gosto estranho, então ela pensou que o leite simplesmente tinha estragado e jogou tudo fora; depois foi à geladeira e também jogou o leite fora.
Ela saiu de seu apartamento já vestida para ir direto para a oficina de Tomás, já que ele a ajudaria com sua roupa; Julieta não percebeu que estava sendo seguida discretamente, por sua segurança. Ao chegar lá, ela descobriu que tudo era um caos total; as pessoas corriam de um lado para o outro com amostras de tecido, fitas e acessórios, todos na mesma direção de Tomás.
— Cheguei em um bom momento? — perguntou ela hesitante.
— Você sempre chega em um bom momento — disse Tomás, sorrindo para a amiga.
Depois de um tempo, Tomás se desocupou e foi às compras com sua amiga para o encontro dela com o Duque de Cornwall. Ela merecia limpar a mente; ele apoiou, de certa forma, a ideia do pai dela, mas não pelas mesmas razões. Talvez afastá-la de Maximiliano Hawks fosse o melhor para ela, e Tomás faria de tudo para isso.
— Confie em mim, você ficará como você é, amor. Uma rainha — garantiu Tom, quando entraram na primeira loja.
***
Maximiliano não conseguia tirar da cabeça as palavras de Julieta, e estava atento a qualquer relatório de rastreamento que os seguranças de Julieta tinham para ele; às vezes, eles lhe enviavam fotos a pedido dele, mas para permanecerem encobertos, quase sempre enviavam mensagens de texto, o que deixava seu humor pior. O pior era ter que suportar a inépcia de Isabel, a substituta medíocre que ele teve. Então, ele ligou para recursos humanos. Ele sabia que a garota não duraria muito tempo.
— Departamento de recursos humanos, em que posso ajudá-lo? — respondeu Simona, a secretária e assistente de Rachel.
— Diga a Rachel para subir à presidência — pediu Maximiliano, sem cumprimentar.
— Já aviso, Presidente Hawks — respondeu Simona, automaticamente.
Menos de dez minutos depois, Rachel pisava com firmeza fora do elevador e se aproximava de Isabel; a garota estava um pouco descabelada e olhava para todos os lados procurando o que Rachel supõe serem os papéis de que ela precisa; ela só conseguiu adivinhar que era um mau dia para a garota.
“Aquele ser do mal tinha um cachorro e tinha que levá-lo ao veterinário de manhã, e era… francamente impossível!” Isabel continuou imersa em seus pensamentos sobre o que aconteceu naquela manhã.
Levar aquele animal, que aparentemente pesava mais que dois dela, era uma tarefa forçada; o cachorro rosnava constantemente e a arrastava pela rua enquanto ela lutava para levá-lo ao seu compromisso, marcado há mais de seis meses, e foi horrível; ela chegou descabelada ao trabalho e muito tarde, pois foi impossível levar o cachorro ao veterinário e levá-lo de volta para casa para depois ir ao trabalho, e isso só lhe rendeu gritos e impropérios de Maximiliano Hawks.
— Boa tarde, o chefe está esperando — anunciou Rachel Riker, quando a garota não cumprimentou e parecia muito perdida.
— Bue… eh… sim… entre, entre — disse Isabel distraída.
O senhor Hawks havia pedido que ela não mudasse nada de lugar, mas ela não conseguia encontrar nenhum documento que ele lhe pedia ou números de telefone de pessoas que ela não sabia se existiam; parecia que ela estava pedindo documentos que não existiam, pois nunca os encontrava.
— Você precisa me anunciar, sabe que ele se irrita quando você simplesmente não faz isso… Julieta sempre fazia isso quando alguém chegava — lembrou Rachel suavemente, para ajudá-la.
Mas isso foi simplesmente a gota d'água que fez Isabel perder a cabeça, e sua sanidade escapou de sua mente.
— Julieta, Julieta, Julieta… tudo é Julieta Persson fazia isso, Julieta Persson fazia aquilo — a mulher explodiu na frente de Rachel, e ela deu um passo para trás, surpresa com o acesso de fúria da garota — Estou cansada de todos pensarem que aquela cadela é melhor em tudo!
— Acho que você deveria se acalmar — tentou Rachel mediar.
— Julieta não é perfeita, e eu não consigo fazer tudo o que ela fazia porque tenho certeza de que alguém a ajudava, embora ninguém admita — ela parecia paranoica, criando conspirações — Além disso, ela é só uma vadia que abriu as pernas para o presidente Hawks, e agora que ela se foi, me deixa a vida miserável! Estou farta!
— Então, renuncie — disse Max calmamente.
Isabel e Rachel olharam para Maximiliano Hawks encostado no batente da porta de seu escritório, vendo Isabel enlouquecer; apenas dois dias e aquele homem havia tornado sua vida miserável.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Reconquistando minha amante secreta milionária