— Acho que posso aceitar um jantar — Julieta cedeu — Podemos pedir pizza ou algo para comer.
— Você não vai levar o Conde de Cornwall para comer pizza, precisa levá-lo a um lugar mais formal — respondeu Oswald, ofendido com os pensamentos da filha, mas com um pequeno sorriso; ele sabia que ela lutaria até o fim.
Tomás apenas se levantou e a seguiu; ele sabia que havia metido os pés pelas mãos ao se intrometer em um assunto que não era problema seu, mas era a verdade. É que ele não queria mais ver a amiga triste, e nisso ele falhou. Ele sabia que ela tinha um sorriso no rosto, mas era mais falso que nota de três reais.
— Tudo bem, nada de pizza — resmungou, irritada por aceitar esse jantar — Se o velho não me agradar, não me caso.
— Nada disso, jovenzinha! — interrompeu seu pai imediatamente — Ainda há muitos pretendentes para aprovar.
— Posso escolher? — questionou incrédula.
— Não te dei a oportunidade de dizer que pode escolher, entre a lista que sua mãe e eu temos para você — contou ele — Nós te amamos, filha, e só queremos o melhor para você, e o melhor é casar com o Duque de Cornwall ou qualquer outro que você escolher que esteja à nossa altura — seu pai deixou claro — Estou desligando, tenho uma reunião em dez minutos.
Antes que ele pudesse desligar, Tomás fez um convite:
— Em uma semana haverá um desfile de moda com minha nova coleção. Se quiser, pode vir — convidou Tomás, e Julie já sabia o que ele estava fazendo; ele queria que elas se reconciliassem — Você também, amor. Você vai ficar deslumbrante com um dos meus designs naquele dia.
— Vamos ver — murmurou Julieta, não muito certa.
— Vou ver minha agenda — comentou o homem calmamente — Tenho certeza que sua mãe vai querer ir… e seus irmãos, Juliette, mas não prometo nada — então desligou a chamada.
Tomás, vendo que sua amiga já estava mais calma, decidiu ir para casa, mas isso não o aliviava da preocupação por ela.
— Se quiser, posso ficar — insistiu Tomás mais uma vez.
— Sério, não precisa. Você tem sua vida, e você me disse que tinha um encontro hoje — levantou as sobrancelhas repetidamente em brincadeira — De qualquer forma, nos veremos amanhã para experimentar aquele vestido, talvez eu tenha engordado dez quilos com tantos doces que comi — riram disso.
— Encontros podem ser cancelados. Você é minha amiga, e ninguém pode mudar isso — comentou Tomás, confiante, o que só deixou Julieta mais emocionada do que já estava — E não diga que está gorda, você é linda de qualquer jeito.
— Você está atrasado para ir embora — comentou ela, com zombaria, mas também com um toque de tristeza em seu olhar.
“Eu não sabia o quão boba eu fui até abrir os olhos à força”, pensou Julieta.
Ela continuaria assim a vida toda se não fosse pelo compromisso recente?
Depois que Tomás foi embora, Julieta decidiu tomar um merecido banho. Ela estava saindo do banho, com uma toalha na cabeça e outra enrolada no corpo, quando a campainha tocou. Ela pensou que talvez seu amigo tivesse deixado algo, então correu até a porta e abriu, ficando petrificada no lugar.
— Mas que porra você está fazendo na minha casa? — murmurou ela — Você veio me dizer para retirar a queixa? Isso não vai acontecer — perguntou Julieta com raiva.
— Julieta… — disse ele em um tom de voz diferente, mas Julieta estava tão furiosa que sua raiva a dominou e ela não percebeu nada disso.
— Sério? O que você está fazendo na minha casa, Maximiliano? — questionou ela, mais brava do que nunca — Parece que você não entende que não quero te ver.

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