O celular tremeu em sua mão enquanto a cor desaparecia de seu rosto. Sabia exatamente quem era. Aquela voz a havia perseguido em seus piores pesadelos.
— Gunter... — murmurou, incapaz de conter o tremor em sua voz.
— Sentiu falta da minha voz, Isabel? Porque eu não parei de pensar em você, em tudo que me tirou — sua voz soando sinistra aos ouvidos de Isabel, que tremeu em sua cadeira.
Isabel sentiu como se o chão sob seus pés desmoronasse. Esta não podia ser uma ligação da prisão. Não era possível. Havia um acordo, uma condenação... ou não?
— Como...? — Tentou perguntar, mas as palavras não saíam.
— Como estou falando com minha esposa? — interrompeu Gunter, seu tom tingido de zombaria.
— Ex... eu sou... nos divorciamos, Gunter — Isabel falou com um pouco de coragem.
— Isso não é o importante. O que importa é que estou aqui e que você não vai escapar de mim — zomba com fastio— estamos casados, querida. Você não pode simplesmente me deixar. Não é assim que as coisas funcionam, mas vejo que você precisa de uma lição.
A linha foi cortada abruptamente, deixando-a com um milhão de perguntas e um medo paralisante. Isabel deixou o celular cair sobre a mesa enquanto sua mente tentava processar o que acabara de acontecer.
"Como era possível que Gunter estivesse livre?"
"Por que ninguém a havia avisado?"
Ligou para a polícia, para o advogado que cuidou do caso, para qualquer um que pudesse dar respostas. Mas cada ligação parecia bater contra uma parede de burocracia e evasivas.
Finalmente, exausta e apavorada, fez algo que não esperava: ligou para Callum e quando ele não atendeu, enviou uma mensagem.
"Preciso te ver. Agora. É importante"
Não passou nem um minuto antes que chegasse a resposta:
"Estava numa reunião. Estou a caminho"
Enquanto esperava, Isabel sentiu uma mistura de alívio e culpa. Não queria arrastar Callum para seus problemas, mas naquele momento precisava de alguém que a ajudasse a se manter de pé, porque tudo ao seu redor parecia desmoronar e sua mente não parava de girar.
Callum chegou à recepção da torre Hawks com passos firmes e um rosto preocupado. Assim que mencionou o nome de Isabel Scott, o pessoal o deixou subir sem objeção alguma. Ao entrar no andar onde Isabel trabalhava, seus olhos a procuraram imediatamente.
Ela estava sentada, nervosa, com as mãos trêmulas. Quando Callum a viu, algo em seu interior se tencionou: Isabel raramente mostrava essa vulnerabilidade.
— Isabel? — disse enquanto apressava o passo em direção a ela.
Ela levantou o olhar, e seus lábios começaram a tremer. Callum não esperou mais e se ajoelhou junto à sua cadeira, olhando-a com preocupação.
— O que aconteceu? Você está bem? — perguntou rapidamente, inspecionando-a com o olhar.
— Eu... — mas desabou em choro e não conseguiu dizer mais.
— É o bebê? Quer que vamos ao médico? — pergunta com o pânico preenchendo sua voz e invadindo todo seu corpo.
As palavras saíam de sua boca como tiros, mas Isabel não conseguia responder. Em vez disso, se jogou em seus braços e chorou mais forte.
— Gunter... — soluçou, agarrando-se a ele como se fosse sua única tábua de salvação.
— O que aconteceu com Gunter? — perguntou Callum, seu tom passando da preocupação à raiva enquanto tentava acalmá-la. Tudo isso enquanto acariciava seu cabelo.
— Ele... me ligou... — conseguiu dizer entre lágrimas, mas suas palavras se afogavam no medo.
Callum franziu o cenho, sua mandíbula se contraindo. Sem dizer mais nada, ajudou Isabel a se sentar novamente e se ajoelhou diante dela, segurando suas mãos trêmulas entre as suas. A imagem daquele homem tão imponente ajoelhado a seus pés era impressionante, mas Isabel não tinha cabeça para processar isso naquele momento.

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