Na segunda-feira seguinte, o alarme tocou como todos os dias. Julieta não tinha sabido nada de Maximiliano Hawks, mas sabia que primeiro devia apresentar sua demissão e esperar pelo menos 15 dias para poder se retirar do trabalho. Esperava não encontrar nenhum tipo de problema. Se vestiu com um dos vestidos que Tomás tinha dado; era lindo, de uma cor verde garrafa que fazia ressaltar seus próprios olhos verdes. Decidiu fazer um rabo de cavalo alto com alguns cachos nas pontas; algumas mechas soltas emolduravam seu rosto, realçando sua beleza e seu pescoço esbelto.
— Bem, garota, você está pronta — disse ao espelho, tentando se animar. Pegou sua bolsa e se dirigiu à estação para pegar o metrô.
Chegou cedo, como toda manhã. Preparou o café de seu chefe e se sentou para revisar os pendentes, que supostamente não seriam muitos. Pouco menos de cinco minutos depois, chegou Maximiliano, olhando para todos com desdém até que seu olhar se cruzou com o de Julieta.
— Pensei que tinha se demitido — disse simplesmente ao vê-la hipnotizado pelo lindo vestido que usava.
"Ela só quer me contrariar" pensa detalhando o vestido e querendo devorá-la ali mesmo naquela mesa.
— Sou uma pessoa responsável, e primeiro tenho que apresentar minha carta de demissão ao Recursos Humanos — respondeu ela como se nada fosse— Bom dia, presidente Hawks — acrescentou quando ouviu a porta bater de seu chefe. Um sorriso travesso floresceu em seu rosto.
No meio da manhã Julieta, se dirigiu à área de descanso com seus colegas de trabalho e os ouviu conversando. Tentou não prestar atenção; só queria um café e voltar à sua mesa para terminar os papéis que Maximiliano precisava para uma reunião importante que teriam essa mesma semana.
— Mas você ouviu isso? — disse uma das garotas do grupinho reunido, vendo pelo canto do olho como Julieta preparava um café.
Muitas das mulheres do escritório não simpatizavam com a assistente do presidente; queriam ser elas que servissem de qualquer maneira que o senhor Maximiliano lhes permitisse. Mas ele tinha se negado a transferir Julieta para qualquer outro departamento, o que levantava fofocas e suspeitas de que Julieta era a amante secreta de seu chefe.
— Menina, mas eu até tenho a prova. Aqui tem um vídeo que me passaram dela dançando como se não houvesse amanhã — continuou outra.
— Então me passa também — disse um rapaz— Ela sempre me atraiu então qualquer jeito de vê-la é uma bênção pra mim.
— Não seja bobo, pra que vou te passar se ela nem te dá atenção? — respondeu outra do grupo.
— Porque quero, e pronto. Me passa, quero ver como ela dança bonito — responde o homem.
— Você quer dizer como dança vulgar; parecia uma dessas mulheres que você contrata pra dançar num pole — comentou alguém mais.
— Bem, já que ela está aqui, por que não perguntam pra ela? — soltou uma, deixando cair todo seu veneno.
Todas se viraram para ver Julieta, que muito tranquilamente dava um gole em seu café. Sabia há um tempo que falavam dela; as fofocas corriam como água no rio.
— Por que estão me olhando assim? — perguntou ela pacificamente, fingindo inocência.
"Essas mulheres eram muito previsíveis"
— Queríamos que você confirmasse se era você que dançava com aquele vestidinho brilhante preto — disse uma das garotas do grupinho, Greta.
— Criou coragem, querida — questionou uma delas, Iris, sem entender por que Julieta estava se comportando daquela maneira. Sempre deixava que a pisoteassem.
"O que mudou?" se perguntavam todos, olhando-a entre surpresos e raivosos, e alguns, embora não quisessem admitir, com admiração.
— Não sei — respondeu ela simplesmente— O que sei é que deveriam estar trabalhando agora mesmo; não iriam querer que o presidente Hawks as encontrasse aqui no meio do seu turno, estão há mais de meia hora em fofoquinhas que não lhes dizem respeito — disse, virando-se para ir embora.
— Igual a você — replicou outra, querendo iniciar uma briga, irritada porque Julieta, pela primeira vez em três anos, respondia a seus ataques.
— As regras de convivência dentro da empresa dizem que tenho 10 minutos livres, dos quais já se passaram três. Então já vou, como podem ver. Vou continuar meu trabalho — e foi embora sem dizer mais nada.
Todos olhavam como ela ia, alguns maravilhados, outros fascinados, e outros tantos com muita inveja. Julieta passou ao lado de Max sem dirigir-lhe a palavra o que só irritou mais a Maximiliano. No passado ela recorria a ele se as mulheres no escritório a incomodavam ou se um homem a assediava e ele resolveria tudo... agora simplesmente não aconteceu assim e não gostou nem um pouco.
— Quem ela pensa que é, essa desbocada? — perguntou uma delas— Acha que por vir com um vestido diferente pode falar assim com a gente? Com essa atitude? Vamos fazer uma reclamação no Recursos Humanos.
— Não sei se isso é o melhor — opinou outra— Você sabe perfeitamente que já tentamos tirá-la várias vezes, e o presidente Hawks continua dando uma e outra vez oportunidades pra ela. Eu continuo dizendo que ela é amante secreta dele.
— E a senhorita como garante isso, senhorita River? — perguntou Maximiliano, entrando na sala de descanso.

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