Tomás havia passado noites inteiras em seu ateliê, mal se permitindo um descanso em sua obsessão para que cada detalhe fosse perfeito. A emoção e a pressão do próximo desfile o mantinham em estado de alerta, tanto que mal notava o cansaço acumulado. Fabricio aparecia no ateliê todos os dias sem falta, com um sorriso tranquilo e uma sacola cheia de comida. Cada vez que lhe deixava uma bandeja com algo nutritivo e equilibrado, algo que o mantivesse forte, Tomás sentia seu coração bater mais rápido, enchendo-se de gratidão e amor. Nunca deixava de pensar nos quatro longos anos que havia esperado para estar com ele, e agora, ali estava Fabricio, cuidando dele e apoiando-o como sempre havia desejado.
Tomás olhava Fabricio de soslaio enquanto devorava a salada e os pedaços de proteína que ele lhe trazia. Nesses momentos, sentia que nada poderia dar errado, que tudo fazia sentido. No entanto, naquela manhã, quando mal começava a organizar alguns tecidos, seu novo assistente, Carmelo, chegou correndo ao ateliê, com o rosto transtornado.
— Tomás, temos um problema — disse Carmelo, ofegante.
Tomás deixou cair a tesoura e o olhou com o coração na garganta.
— O que aconteceu? — perguntou Tomás distraído.
— O encanamento no local onde será o desfile... se rompeu. Está tudo inundado. E segundo os técnicos, consertar levará pelo menos dois meses.
O pânico se apoderou de Tomás. Sentia que os nervos o consumiam ao pensar nos dias que havia passado preparando aquele lugar, adaptando cada canto para que o desfile fosse perfeito. Sem pensar duas vezes, começou a fazer ligações, procurando outro local com as mesmas características e o espaço necessário para o evento. Mas Nova York não oferecia muitas opções em tão pouco tempo, e conforme os dias passavam sem conseguir nada, sua ansiedade crescia.
Fabricio continuava levando comida, tentava acalmá-lo e lembrava que ele devia dormir e descansar, mas Tomás não conseguia se acalmar. Até que um dia, no meio de outra jornada exaustiva, seu telefone tocou, e ao ver o nome de Fabricio na tela, atendeu instantaneamente.
— Oi, amor? Você está bem? — perguntou Tomás, meio confuso.
— Estou bem, mas preciso que você venha ao Museu de Nova York. Pode estar aqui em meia hora? — A voz de Fabricio soava misteriosa, como se escondesse um segredo.
— No museu? Fabricio, não tenho tempo para distrações, estou tentando salvar o desfile... — tentou dizer para que ele entendesse que estava em crise justamente agora, mas Fabricio o interrompeu.
— É importante, confie em mim. Venha — pediu.
Sem entender completamente, mas intrigado, Tomás aceitou. Chegou ao museu e o encontrou esperando na entrada, com um sorriso enigmático. Fabricio o olhou como quem está prestes a revelar uma surpresa e fez um gesto para que o seguisse. Percorreram os corredores do museu em silêncio, observando alguns dos quadros mais famosos, e embora Tomás tentasse se concentrar na arte, a ansiedade não o deixava em paz.
Finalmente, quando a tensão se tornou insuportável, Tomás parou e o olhou fixamente.
— Fabricio, o que está acontecendo? Pensei que isso fosse uma emergência — explodiu de repente. E ele sabia que Fabricio não o faria esperar tanto.
Fabricio soltou uma risadinha e assentiu, fazendo um gesto para que o seguisse. Continuaram caminhando até chegarem a um grande salão com tetos altos e um espaço tão amplo que Tomás sentiu que mal conseguia respirar. Era o lugar perfeito para seu desfile, talvez até melhor que o espaço que havia perdido.
— Esta é a emergência — disse Fabricio, apontando o salão.
Tomás ficou sem palavras, olhando ao redor com os olhos brilhando de emoção.
— O que...? — Tomás não encontrava as palavras.
— Acho que... este lugar é perfeito para seu evento. Não acha? — perguntou Fabricio com um pouco de receio.
Havia trabalhado muito para conseguir aquele lugar, mas não ia contar isso.
— É brincadeira? — perguntou, com a voz trêmula.
— Não é. Acontece que o amigo de um amigo conhece alguém aqui, e podem alugar o lugar para o evento. Não foi fácil, mas acho que valerá a pena.
Tomás sentiu uma onda de felicidade avassaladora e começou a dar pequenos pulinhos de alegria, como uma criança. Sem conseguir se conter, correu até Fabricio e o abraçou com força, rindo de puro alívio.
— É perfeito, Fabricio! É perfeito! — começou a pular onde estava de tanta emoção.
Sem se importar com quem pudesse estar olhando, Tomás se inclinou e o beijou, deixando-se levar pela emoção do momento. Fabricio correspondeu ao beijo, envolvendo-o com seus braços, e por um instante, o mundo desapareceu para ambos. Estavam juntos, exatamente onde desejavam estar, e esse era o único detalhe que realmente importava.
— Obrigado — sussurrou Tomás, olhando em seus olhos. — Não só por isso, mas por estar aqui comigo.
Fabricio apertou sua mão suavemente, sentindo que seu próprio coração batia acelerado, cheio de carinho e emoção. Amava ver Tomás em seu elemento, amava seu entusiasmo, e a conexão entre ambos se sentia mais forte do que nunca.
— Saiba que este desfile é seu, Tomás — sussurrou Fabricio, com um sorriso caloroso. — Mas você não precisa fazer isso sozinho. Estou aqui com você, e amo cada segundo disso.
Tomás assentiu, ainda com o olhar fixo no salão, imaginando cada canto tal como haviam planejado. Finalmente, virou-se para Fabricio e o olhou intensamente, como se finalmente pudesse permitir que toda a emoção e gratidão inundassem suas palavras.
— Não sei o que faria sem você — admitiu Tomás, apertando sua mão. — E digo isso sério.
Fabricio, com um olhar sereno e seguro, respondeu:
— Você não precisa saber, porque não vou a lugar nenhum — assegurou.
Ambos ficaram um momento em silêncio, simplesmente desfrutando do espaço e da companhia mútua. Tomás sentia que, depois de tantas dificuldades, as peças finalmente se encaixavam, e tudo começava a andar sobre trilhos novamente.
Aproximou-se de Fabricio e o beijou tentando transmitir todo o amor que sentia por ele porque não encontrava palavras que explicassem o que sentia.
Nesse momento recebeu uma ligação e se separaram um pouco. Tomás franziu a testa ao ver que Maximiliano estava ligando e seu coração acelerou pensando que já podia ser tio... mas as datas não batiam, o que o assustou.
— Alô? Julieta está bem? — foi direto ao ponto.
A linha ficou em silêncio alguns segundos até ouvir um suspiro cansado, o que só deixou Tomás em alerta e se afastou um pouco mais de Fabricio.
— Não sei... ela... Julieta desapareceu... a levaram e não sei onde está — falou Max, sua voz se quebrando na última palavra.
Tomás sentiu que seu mundo afundava com essas palavras letais.

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