— Julieta! — exclama surpreso e até um pouco irritado.
Sacudiu seus sapatos para tirar o excesso e a olhou preocupado que estivesse demasiadamente intoxicada e talvez precise fazer uma viagem à emergência.
— Sinto muito — disse num murmúrio muito baixinho e envergonhada.
Suas bochechas já rosadas por causa do álcool ficaram mais vermelhas pela vergonha.
— Está melhor? — pergunta Max franzindo a testa, Julieta por um momento pensou que estava preocupado com ela, mas isso era impossível.
Julieta sacudiu a cabeça afastando as teias de aranha de sua mente, não teve tempo de responder quando um carro prateado de luxo estacionou na frente deles e tocou a buzina.
— Preciosa, vamos — o recém-chegado, Tomás viu a confusão que sua melhor amiga arrumou e quase cai na risada, mas manteve sua fachada séria todo o tempo desafiando Max a dizer algo.
— Tomás... — Julieta suspirou aliviada— sabia que não ia me abandonar. Diz isso pro retrógrado do meu chefe — aponta um pouco mais à esquerda de onde Maximiliano realmente está.
A fúria que Max tinha há uns momentos voltou com força e só apertou as mãos em punhos.
— Eu a levo — disse Max no que se supõe não haver direito a réplica.
Uma delicada figura emergiu do nada se posicionando ao lado de Maximiliano.
— Por que demora tanto, amor? — pergunta de forma inocente se pendurando em seu braço.
Julieta arregalou muito os olhos surpresa de ver Liliane, ah por isso estava no bendito clube, não era por ela afinal e seu coração só se apertou mais em seu peito.
"Me seguiu ao banheiro e depois pra fora do clube estando acompanhado de sua noiva?" pensou.
Ficou louco ou o quê?
Tomás viu tudo de dentro de seu carro prestes a sair para ajudar sua amiga.
— Liliane — fala Max tão perturbado de vê-la que as perguntas se perdem por um segundo— O quê...?
— Muito bem, vou indo — fala Julieta se sentindo mais sóbria por um momento, ocultou com seu cabelo seu rosto para que ninguém visse as lágrimas que se acumulavam em seus olhos. Isso era humilhante.
— Suba, linda — disse Tomás com uma voz baixa e gutural muito séria querendo socar a cara perfeita de Maximiliano Hawks.
Julieta sabia que Tom estava irritado e não precisamente com ela, então se apressou a sair antes de piorar tudo.
Ele não pensa em deixá-la ali, não é? O motorista a deixou aqui porque insistiu que Maximiliano a levaria para casa.
Max sobe em seu carro sem olhá-la e ela tenta abrir a porta do passageiro e estava trancada, ri nervosamente e bate um pouco no vidro para que ele note que ela ainda está fora, ainda havia olhos sobre eles e Liliane ficava cada vez mais nervosa.
Max nem sequer a vê enquanto liga o carro e quando ia arrancar a vozinha dela chega aos seus ouvidos.
— Não me deixe aqui, depois de tudo que fiz por você — ela diz com voz lastimável que em Max só provocou um profundo rancor pela mulher— ...e vai me deixar jogada num clube a essas horas por culpa de uma qualquer? — sussurra ela através das lágrimas.
Max fica apertando o volante tão forte que seus nós dos dedos ficaram brancos, e depois do que parece a Liliane uma eternidade, Max destrava a porta com bastante lentidão.
Ela entra muito rápido caso ele se arrependa depois e vai colocar o cinto quando Maximiliano arranca de repente e Liliane cambaleia dentro do carro.
— Não gosto de chantagens, Liliane — fala Maximiliano sem deixar de ver o caminho por onde dirige, apertando o acelerador— não volte a jogar essa carta num momento como esse.
— Lamento muito ter pensado essas ideias... Não era uma chantagem — disse ela com voz lastimável— tinha medo, Maxi.
Maximiliano simplesmente não respondeu e revirou os olhos por esse apelido ridículo. O resto do caminho se fez em total silêncio, e ela não se atreveu a abrir a boca para não continuar danificando ainda mais a relação que tinha com ele. Tinha que conseguir se casar com ele sim ou sim, e o primeiro passo já estava pronto. O ruim era que Max não se deixava manipular com lagriminhas e palavras adocicadas, então a situação estava sendo mais difícil do que ela pensava.

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