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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 195

Cap. 2

Fui puxada contra um corpo que parecia feito de pedra. Uma das mãos dele cobriu minha boca com delicadeza, mas firmeza absoluta, enquanto o outro braço circulava minha cintura, me suspendendo levemente do chão.

— Calma... — ele suspirou e eu reconheci a voz que me deixou aliviada.

O choque foi imediato. Eu sempre detestei o toque masculino, a invasão de espaço, a força bruta, mas ali, prensada contra aquela imensidão de calor, meu corpo não reagiu com a repulsa habitual.

Meus sentidos entraram em pane. Eu sentia cada centímetro da tensão muscular dele, a rigidez do abdômen contra minhas costas, o calor abrasador que emanava de sua pele, infiltrando-se pela seda fina da minha camisola.

— Shhh... Calma. Sou eu. — A voz dele vibrou baixo, rente ao meu ouvido, enviando um calafrio elétrico por toda a minha espinha.

Meu coração, que antes batia por medo, agora galopava por um motivo que eu não conseguia processar.

Ele me soltou devagar, como se testasse minha reação, céus... ele tinha mesmo me levantado do chão com essa facilidade? Que constrangedor quando sentir que meus pês precisava tocar no chão, mas continuou perto o suficiente para que eu sentisse o perfume amadeirado misturado ao calor da pele dele.

Eu me virei, apoiando as mãos no balcão para não vacilar. Minhas pernas pareciam feitas de gelatina.

— O que... o que você está fazendo aqui a essa hora? — Minha voz saiu num sussurro trêmulo.

Ele deu um passo para a luz. Átila vestia uma calça de moletom cinza e uma camiseta branca de tecido fino, tão ajustada que deixava claro o desenho dos seus ombros largos e a musculatura poderosa dos braços. O contraste do branco contra a pele dele na penumbra era hipnotizante.

— Estou verificando o sistema de segurança — ele explicou, a voz mantendo aquele tom grave e calmo que parecia preencher toda a cozinha. — Fiz alguns testes nos sensores de movimento e nas câmeras externas. Queria garantir que a casa estivesse perfeitamente segura enquanto vocês dormem.

Respirei fundo, tentando recuperar o controle.

O calor dele ainda parecia impregnado na minha pele. Olhei para cima e, por um segundo, meus olhos traíram minha vontade, descendo pelos contornos do peito dele sob a camiseta fina. Senti meu rosto arder, uma queimação que nada tinha a ver com a temperatura ambiente.

Ele não pareceu notar meu embaraço, ou talvez estivesse sendo apenas educado.

— Veio buscar água? — perguntou, seus olhos escuros fixos nos meus.

Eu apenas assenti, mostrando o copo vazio que ainda segurava com os dedos trêmulos. Sem dizer mais nada, ele pegou a jarra de vidro sobre o balcão e serviu a água para mim.

O som do líquido caindo era o único ruído na cozinha silenciosa enquanto ele estranhamente me encarava nos olhos sem demonstrar nenhum tipo de emoção ou reação aparente, apenas me analisando.

Ele me estendeu o copo. Nossos dedos se tocaram por uma fração de segundo na troca, e a sensação de choque retornou, me fazendo recolher a mão rapidamente após pegar o vidro.

— Está com fome? Posso preparar algo rápido.

— Não! — respondi rápido demais, a timidez me atingindo como uma onda. — Não, obrigada. Eu... eu já vou subir.

Recuei um passo, sentindo o olhar dele me seguir. A confusão mental era absoluta. Por que eu não tinha sentido nojo? Por que aquela tensão rígida do corpo dele tinha me deixado sem ar de uma forma tão diferente?

— Boa noite, Átila — murmurei, sem conseguir olhá-lo nos olhos novamente.

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