Cap.181
O carro de Átila parou em frente à casa das meninas, o motor ainda roncando baixo. A chuva fina havia dado uma trégua, deixando o asfalto brilhante e o ar pesado com umidade e dor residual.
Katleia e Gildete desceram em silêncio, seus passos lentos. Átila as observou até a porta do prédio, garantindo que entrassem. Do outro carro, Axel esperava, impaciente, os dedos batendo no volante. Mima já havia saído e entrado no prédio sem olhar para trás.
Maju, no entanto, parou na calçada após fechar a porta do carro. Ela hesitou, olhando para Axel através do vidro. Ele franziu a testa, num gesto quase imperceptível de o que é agora?
Ela deu dois passos rápidos de volta para o carro e se inclinou ligeiramente para a janela aberta do passageiro.
— Axel? Pode esperar um instante? Só um. Quero te mostrar uma coisa — disse ela, a voz um pouco acelerada.
Ele suspirou, mas desligou o motor.
— Rápido.
Maju sorriu, um brilho fugaz em seus olhos ainda avermelhados do choro, e correu para dentro do prédio.
Do carro de Átila, que ainda não havia saído, William observou a cena com um interesse súbito.
Átila, ao volante, virou a cabeça e viu Maju desaparecer pela porta e Axel esperando, imóvel, no carro.
Um sorriso lento, carregado de deboche, formou-se no rosto de Átila.
— Olha só — murmurou para William. — A coroinha tem uma missão.
William retribuiu o sorriso, ajustando os óculos.
— Curioso.
Axel, percebendo que estava sendo observado, virou a cabeça e lançou um olhar assassino na direção deles.
Caiam fora, dizia o olhar. Átila apenas ergueu as sobrancelhas, o sorriso se ampliando.
A porta do prédio se abriu, e Maju voltou correndo, carregando algo cuidadosamente dobrado entre as mãos. Era um tecido. Ela se aproximou da janela de Axel, um pouco sem fôlego.
Ele a encarou, confuso. Seus olhos baixaram para o objeto em suas mãos. Eram listras… vermelhas e brancas…
Maju estendeu o tecido, desdobrando-o parcialmente para revelar o que era: uma gravata de seda, vermelha, com listras brancas finas. A gravata que ele usara no dia em que a encontrara no orfanato, e que deixara enrolada em seu pescoço quando a cobrira com o casaco.
— Ah… — a saída de ar dele foi mais de reconhecimento do que qualquer outra coisa. — Minha gravata.
Ele estendeu a mão, pensando que ela queria devolvê-la. Um gesto prático, embora estranhamente tardio.
Maju, no entanto, recuou a mão rapidamente, pressionando a gravata contra o peito, como se a protegesse. Seus olhos, grandes e sérios, encontraram os dele.
— Não é isso — disse ela, a voz firme, mas suave. — Eu queria perguntar… se eu posso ficar com ela.
Axel congelou. A mão estendida ficou parada no ar por uma fração de segundo antes de cair lentamente.
Ele a encarou, seu rosto normalmente impenetrável agora uma tela em branco de total falta de reação.
De longe, Átila mordeu o lábio para conter uma gargalhada. William virou o rosto, os ombros tremendo levemente.
Axel sentiu o calor subir pelo pescoço. Olhou para os lados, evitando o olhar direto e intenso de Maju, como se buscasse uma saída nas fachadas dos prédios.
— Por que… — a voz saiu um pouco áspera, e ele a limpou. — Por que você quer uma gravata?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!