Entrar Via

Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 174

— Consegui adiar. O juiz é… um amigo meu, e dados os rumores de sequestro e o estado emocional. Mas não podemos adiar para sempre, Átila. A polícia oficial, a imprensa… isso é uma bomba-relógio. É melhor você resolver esse pepino antes que o Grupo Felix seja afetado.

Átila assentiu, a mente dividida entre a irmã perdida.

No corredor frio e funcional da base de monitoramento, longe dos ouvidos de Adon e Axel, a tensão entre Átila e William era palpável. William ainda parecia ter coisas a expor, coisas que Átila não queria ouvir.

Ele segurava um tablet, a expressão profissional rachada por uma rara frustração.

— O adiamento foi o máximo que consegui. O juiz não vai aceitar outra desculpa. E a queixa… ela não está aceitando acordo. Nenhuma compensação financeira. A exigência dela é ver você pagando.

Átila, que observava a rua escura refletida na janela, virou-se lentamente. Seus olhos, normalmente analíticos, estavam carregados de uma escuridão visceral.

A preocupação com Selene — Simone —, a culpa, a raiva contra Omar e agora esse obstáculo legal, ao mesmo tempo insignificante e catastrófico, fundiam-se em um único impulso: esmagar.

— Não se preocupe — disse ele, num sussurro baixo e perigosamente calmo. — Eu vou encontrar essa mulher. E vou enfiar essa compensação goela abaixo dela, mesmo que tenha que desencaixar a mandíbula para isso. O que essa vadia pensa que está fazendo? Acha que pode brincar com a família Felix?

William avançou um passo, bloqueando fisicamente a linha de visão de Átila para a porta, como se pudesse conter sua intenção.

— Você está alterado. E não, você não vai fazer isso. Já estamos em uma linha tênue. Eu estou em uma linha tênue. Por oferecer dinheiro a ela, mesmo que indiretamente, meu registro na Ordem está em risco. Anos de carreira impecável. Nunca saí da linha.

— Mas essa mulher… a mulher com quem você… interagiu… não é uma pessoa comum. E pode estar sendo assessorada por um escritório rival famoso por ir atrás de peixes grandes. Ela não é fácil de convencer. Nem de intimidar.

Um sorriso lento e sombrio curvou os lábios de Átila. Era a expressão de alguém que passara anos estudando a mecânica do medo em mentes perturbadas.

— Essa velha não vai ser difícil… até eu encontrá-la.

Ele se inclinou levemente à frente, impondo sua presença no espaço estreito.

— Então ela vai ter uma escolha muito clara: prefere ficar sem as mãos, sem nunca mais segurar uma caneta para assinar uma queixa ou escrever um livro… ou prefere esquecer que esse processo sequer existiu?

— Arruma um tempo na sua agenda, William. Porque, por minha causa, Adon e Axel também estão sendo processados. Ou seja: nós três estamos fodidos. E você, por extensão.

Ele fez uma pausa. O ar ficou pesado.

— Alex sabe disso?

Átila sacudiu a cabeça rapidamente.

— Alex não pode nem ver a sombra disso. Se ele descobrir o processo criminal, a tentativa de suborno e agora essa ameaça de violência… ele pode nos deserdar. Ou pior.

— Pode tentar “resolver” do jeito dele. E isso significaria enterrar todos nós junto com o problema. Ainda mais agora que descobriu que a filha que mais estima está viva.

— Bom — William respondeu, encerrando o assunto. — Então mantenha-o no escuro. Mas, se isso explodir, vai ser catastrófico.

— Você conseguiu descobrir o nome dela?

— Não… — William suspirou, massageando a têmpora. — Ela está autorizada a processar usando o nome de autora para preservar a identidade, devido à gravidade das ameaças.

Ele cerrou a mandíbula, lançando um olhar de julgamento a Átila, que não percebeu os punhos de William fechados.

— Eu vou dar um jeito de descobrir. Talvez comparecendo à delegacia… eu tenha alguma chance. Quem sabe.

— Você não tem limites mesmo, não é? — William retrucou. — Não entende que não se mexe com civis? Além disso, é só uma autora. Uma escritora tentando sobreviver. Pelo que pesquisei, essa é a única fonte de renda dela.

— E você, um Felix, atacando uma subescritora… pensa bem. Por que você está realmente perseguindo essa criança?

— Criança?

— Eu já disse. Ela tem dezenove anos. Não é uma velha, é uma menina. E você anda por aí assustando ela. Sabe como os pais dela devem estar? Como ela deve estar?

— Como uma menina escreve aquele tipo de coisa? Isso não entra na minha cabeça. Ela deve ter mentido a idade. Como garantir? Nem o nome verdadeiro tem coragem de usar.

— Independente disso, você tem que parar.

— Já parei. Não sou louco a esse ponto. Mas é tão difícil aceitar o acordo? Além disso… eu mesmo mandei um email oferecendo dez milhões. Quem rejeita esse dinheiro?

William o encarou, atônito.

— Você fez o quê?

— Ofereci dinheiro a ela.

— Me deixa ver esse email.

Átila pegou o celular, contrariado, e entregou a William, que abriu a mensagem e começou a ler.

Assunto: Última oportunidade de bom senso

Kat X,

Vou ser direto, porque sei que esse é o único idioma que pessoas como você entendem.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!