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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 164

Cap.163

A primeira coisa que Selene viu foi Axel, surgindo como um fantasma bem-vestido perto do sommelier.

— Irmãozinho! Que coincidência! — ele exclamou, abraçando Adon com uma força que era metade afeto, metade armadilha. — Estamos jantando aqui também. O velho está lá na mesa redonda.

Logo atrás veio Átila, com um sorriso de cobra.

— Selene. Está deslumbrante. O vestido é uma arma de destruição em massa. — Ele pegou a mão dela e beijou-lhe as juntas, num gesto antiquado que fez Adon franzir a testa.

E então, Alex. Aproximou-se mais devagar, o olhar percorrendo Selene com uma intensidade nova, quase dolorosa.

— O vestido é… adequado. Muito bonito. — completou, seco.

— Obrigada — ela respondeu, a voz contida.

Adon passou um braço protetor em volta dos ombros de Selene.

— Pai. Não sabia que vocês frequentavam este lugar de forma tão casual.

— Há sempre um primeiro dia para tudo — Alex respondeu, enigmaticamente. — Nossa mesa é ali. Por que não se juntam a nós? Os negócios com os senhores de Singapura já estão fechados, não estão, Adon? Agora é hora da família.

Era uma armadilha óbvia. Mas recusar seria uma afronta pública. Adon cerrou os maxilares, mas concordou com um gesto curto.

— Parece que eles querem estragar minha noite, mas… vou ensinar a eles como se vence uma batalha — sussurrou para Selene, apertando-a e mantendo-a ao seu lado.

O jantar “em família” foi uma experiência surreal.

Axel e Átila tornaram-se uma dupla de comédia involuntária.

Puxavam conversa com Selene, perguntavam sobre seu dia, elogiavam cada insight que ela tinha sobre a empresa, enchiam seu copo de água antes que ela pudesse pedir, ofereciam-se para buscar um casaco imaginário. Era um mimetismo exagerado e quase cômico de cavalheirismo, com o claro objetivo de se colocar entre ela e Adon a todo momento.

Alex, por sua vez, tentava conversar com ela. Perguntava sobre sua infância no orfanato — que ela evitava, ignorando —, sobre seus gostos literários, tentando encontrar um ponto em comum, sobre o que ela achava da arquitetura do prédio, um tema ridiculamente forçado.

Era como ver um tigre tentando brincar com um novelo de lã: desajeitado, tenso e profundamente antinatural. Adon observava tudo com crescente irritação, a mão apertando o talher com força.

Sufocada pela atenção bizarra, Selene finalmente se levantou.

— Vou ao banheiro — anunciou, precisando de ar.

Assim que ela saiu da mesa, Adon se voltou para Alex, a voz um sussurro carregado de fúria.

— Um momento, pai.

Os dois se afastaram, indo para um recesso privativo perto dos elevadores, com vista para a cidade. Axel e Átila trocaram um olhar e se posicionaram estrategicamente para bloquear a visão de qualquer um que pudesse se aproximar, mantendo, porém, o pai e o irmão à vista.

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