Cap.151
POV: Selene
A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas pesadas de linho, mas não era o brilho do sol que me incomodava, e sim a sensação de que um trator havia passado por cima de mim. Tentei me virar na cama, mas um gemido baixo escapou dos meus lábios. Cada músculo do meu corpo protestava.
Minhas coxas ardiam, e havia um incômodo persistente e pulsante entre minhas pernas, um lembrete físico e implacável da força de Adon.
Olhei para baixo e vi que estava vestindo uma das camisas dele, uma peça de cetim azul-marinho que ficava enorme em mim, cobrindo até metade das minhas coxas.
Eu não estava de calcinha. O toque do tecido acetinado na minha pele hipersensível me fez estremecer.
Então, as memórias começaram a voltar em flashes violentos.
A sala VIP. O vinho. Eu montada nele. O gosto de uva e desejo. Eu dizendo que ele era meu.
Enterrei o rosto no travesseiro, sentindo minhas bochechas pegarem fogo. Eu não tinha apenas sido ousada; eu tinha sido uma completa lunática embriagada. E o pior: a última imagem que eu tinha era do teto girando enquanto eu desabava, literalmente, em cima dele. Eu apaguei no meio da ação.
— Que terra te enterre, Selene... — sussurrei para o travesseiro, desejando desaparecer.
Ouvi o som da porta se abrindo. O clique suave do trinco me fez congelar. Endireitei-me rapidamente, tentando parecer minimamente digna, apesar do cabelo desgrenhado e das marcas roxas que agora eu via nitidamente no meu pescoço e colo.
Adon entrou. Ele já estava vestido, mas de forma casual, uma calça de moletom cinza e uma camiseta preta que marcava seus ombros, e... aqueles músculos... céus... me lembrei da cena do vinho, fiquei ainda mais vermelha, eu tive mesmo coragem... não! Não me arrependo nem um segundo!
Ele segurava uma bandeja com um copo de suco verde, um comprimido e uma xícara de café. O olhar dele era uma mistura insuportável de diversão e possessividade.
— Finalmente acordou, Bela Adormecida — ele disse, a voz grave e rouca, com aquele tom de quem sabe exatamente o que eu estava pensando. — Ou devo dizer... minha cachaceira favorita?
Fiz minha melhor cara de confusão, embora por dentro eu estivesse gritando.
— Onde eu estou? — perguntei, forçando uma voz frágil e desorientada. — Minha cabeça... eu não me sinto muito bem. O que aconteceu? — tentei ser mais teatral possível para fugir disso.
Adon parou ao pé da cama, deixando a bandeja na mesa de cabeceira. Ele cruzou os braços, os músculos do bíceps saltando, e me encarou com uma sobrancelha erguida.
— Você não lembra? — ele perguntou, o sorriso torto começando a aparecer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!