Capítulo 123
Adon entrou, movimentos lentos, o corpo ainda pesado pelos calmantes, mas a mente já uma tempestade renovada.
O apartamento cheirava a ela, a suave fragrância do xampu de Selene, misturada ao seu próprio perfume.
Mas era um cheiro fantasma. Ele chamou seu nome, primeiro baixo, depois mais alto, a voz ecoando nas paredes vazias sem acreditar que ela realmente saiu e como saiu se estava sob efeito de calmante, isso o deixou ainda mais preocupado.
O quarto estava impecável, a cama feita. No criado-mudo, um bilhete, escrito com a letra cuidadosa de Selene que fez seu coração se acalmar.
*“Preciso de ar. Vou ficar com as meninas. Não venha me buscar. – S.”*
O papel amassou-se na mão dele com um ruído seco.
A fúria, aquela fera que ele pensara ter domado com pílulas, ergueu a cabeça novamente, agora misturada a uma pontada aguda de pânico.
Ele não pensou. Agiu. Vestiu um casaco sobre a mesma roupa do dia anterior, pegou as chaves e saiu, batendo a porta com força.
Átila e Axel tinham descido e agora o esperavam no carro. Viram Adon sair, seu rosto pálido, os olhos vermelhos e com uma expressão de descontrole que os fez trocar um olhar de alerta imediato.
— Ele não está bem, fez aquilo de novo depois de perder o controle. — sussurrou Átila, apertando o volante.
— Nenhuma novidade — respondeu Axel, mas sua voz estava tensa. — Depois do que aconteceu no galpão… isso é o estilhaço.
— Não podemos deixar ele ir sozinho. Não assim.
— Não sei como ele vai superar essa merda...
— Não tem sido fácil para ninguém, ate mesmo para nosso pai, depois da morte de Simone e do quanto eles fizeram para manter ela viva e longe da máfia, nenhum dos dois aceitou essa falha.
— é bom não falar esse nome, ainda mais com Adon assim, ele ouvi, surta ainda mais.
Eles seguiram o carro de Adon, mantendo uma distância discreta.
O trajeto até o apartamento das meninas foi feito em alta velocidade, com Adon cortando o trânsito de forma perigosa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!