Cap.103
— Sua pequena mercenária — ele disse, a voz baixa como o rosnado de uma fera. — Você me fez matar mais de vinte homens. Vinte. Arrasei um lugar inteiro. Cobri-me de sangue alheio. Tudo por uma mentira? Por um teste?
— Adon, não foi um teste, eu só....
— O que você quis provar, Selene? — ele a interrompeu, a voz subindo um tom, ainda contida, mas agora rachando nas bordas. — Que eu sou um animal que você pode soltar com um aceno? Que sou tão previsível?
Ele se ergueu de um salto, ignorando a dor que deve ter latejado em sua virilha. Selene recuou, arrastando-se para trás no carpete, mas ele foi mais rápido. Suas mãos fecharam-se em torno de seus pulsos, puxando-a para frente com força bruta.
Ela caiu de joelhos novamente, mas agora estava presa entre as pernas abertas dele, seu corpo alto pairando sobre o dela.
A proximidade das coxas musculares, do torso desnudo, do rosto obscurecido pela raiva e pela luz azulada fez com que o medo se misturasse a uma atração visceral e proibida. Seu rosto queimou.
— Como você pode ser tão cruel? — a voz dela saiu trêmula, quebrada. — Matar todas aquelas pessoas…
— CRUEL? — o rugido dele ecoou no apartamento, fazendo-a estremecer. Ele puxou seus pulsos para mais perto, curvando-se até que seu rosto estivesse a centímetros do dela. Seus olhos eram abismos negros, refletindo o azul fantasmagórico da sala. — Selene, vou te dizer o que é crueldade. Crueldade é o que eles planejavam fazer com você. Crueldade é o Mathias tocar em você. Eu não fui cruel. Fui necessário. E vou continuar sendo. Vou arrancar pela raiz tudo e todos que pensarem que podem te machucar. Não importa quem seja. Não importa o custo.
Ele fez uma pausa, sua respiração quente batendo em seu rosto.
— Você ainda não me conhece o suficiente, freirinha. Sou capaz de arrasar impérios, de virar meu próprio mundo de cabeça para baixo, de queimar pontes com a própria família… tudo por sua causa. Você é minha linha vermelha. E quem cruza, desaparece.
Selene estava paralisada. O medo era um gosto de metal em sua boca, mas, por baixo dele, uma parte obscura e fascinada se alimentava das palavras dele, do poder devastador que ele oferecia como um escudo ensanguentado.
— Eu fui tola com essa questão, sinceramente… você é o primeiro homem por quem eu realmente sinto algo de verdade e, mesmo que às vezes pareça que vou ter que me afastar a qualquer segundo, eu queria saber como você reagiria, como seria se eu não tivesse mais isso.
Adon soltou um som que era quase um riso abafado, mas sem humor algum. Ele soltou um de seus pulsos e pegou seu queixo, forçando-a a mantê-lo erguido.
— Sua virgindade — ele disse, a palavra saindo com um desdém visceral — tem valor só para você. Para mim, uma mulher não vale menos ou mais por um pedaço de pele. Afinal, todas têm a mesma finalidade, e a sua já é minha. Só estou esperando você entender isso.
— Você é um canalha — ela sussurrou, ofegante, sem conseguir desviar o olhar.
— Sem dúvida — ele concordou, sem pestanejar. — Mas, por mais frustrante que seja, sou o seu canalha.
E então, num movimento fluido, ele a puxou completamente para dentro do espaço entre suas pernas, sua cintura encaixando-se contra ela. Selene deu um salto, consciente de cada centímetro de contato, da tensão muscular dele, do calor que emanava de seu corpo.
— Então vamos esclarecer de uma vez por todas — ele sussurrou, a boca perto de seu ouvido, os lábios tocando levemente sua têmpora. — Você ainda tem alguma dúvida de que eu vou te deixar quando você for minha?
Ela balançou a cabeça, negativamente, num movimento pequeno e instintivo. As palavras haviam se acabado.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!