O sorriso nos cantos da boca de Marcelo aumentou. Ele deu meio passo à frente, diminuindo a distância entre os dois.
O corredor não era largo. Com a aproximação dele, Bianca quase conseguia sentir a temperatura do corpo dele.
Ele não respondeu à pergunta que ela distorceu de propósito; apenas abaixou a cabeça e, perto da orelha dela, disse devagar num sussurro que só os dois podiam ouvir: — A comida estava boa, mas... a minha esposa é mais apetitosa.
A respiração quente roçou na orelha dela, e a orelha de Bianca ficou vermelha.
Esse homem... Por que de repente...
Ela instintivamente ergueu os olhos para encará-lo, mas encontrou os olhos risonhos dele.
Lá dentro refletiam as luzes do corredor, além das bochechas levemente vermelhas dela.
— Vamos, para casa. — Marcelo não esperou ela reagir. Já pegou a mão dela, enfiou no próprio bolso, virou-se e foi em direção à saída.
Só que os passos dele estavam mais rápidos do que o normal.
No carro durante a volta, o clima estava um pouco sutil.
O motorista dirigia concentrado, o painel divisório estava levantado e o banco de trás formava um espaço privado.
Bianca se encostou na janela do carro, olhando a paisagem do lado de fora, enquanto batia inconscientemente a ponta dos dedos na perna.
Ela podia sentir o olhar de Marcelo ao lado, recaindo sobre ela de tempos em tempos.
Ele não disse mais nada ambíguo, apenas estendia a mão de vez em quando para segurar a mão dela e massageá-la.
Cada movimento era natural, mas revelava uma intimidade incomum e... urgência.
Sim, urgência.
Bianca conseguia sentir.
Algumas dezenas de minutos depois, chegaram em casa.
Os dois desceram do carro e entraram em casa. Seus movimentos eram muito leves para não acordar os que já dormiam.

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