A partir daquele momento, a Aelita que amava Octávio a ponto de perder a própria identidade havia se afogado naquelas águas geladas.
Ela respirou fundo, limpou a água do rosto e seu olhar tornou-se firme.-
Ela voltaria a ser a verdadeira Aelita.
Ao sair do banho, Aelita vestia o roupão largo. Com os cabelos secos e o rosto limpo e pálido, ela exibia uma beleza etérea e refinada.
Lázaro estava diante da janela panorâmica, observando o mar escuro, com um copo de água morna na mão. Ao ouvir o movimento, virou-se. Seu olhar repousou nela por um instante antes de lhe estender o copo.
— Beba um pouco de água.
— Obrigada. — Aelita pegou o copo e bebeu um gole.
A atmosfera no quarto ficou sutilmente estranha e embaraçosa.
Aelita mordeu o lábio inferior e escolheu as palavras com cuidado:
— Sr. Mendes, há pouco... obrigada por me salvar e obrigada pela sua... cooperação.
A atitude de Aelita há pouco fora para ferir Octávio, para que ele soubesse que a havia perdido completamente.
Lázaro sentou-se no sofá. Sua postura era relaxada, mas não escondia a nobreza intrínseca.
— Não precisa agradecer. Foi apenas um gesto simples.
Aelita sentiu um alívio. Ainda bem, o bonitão sabia que ela estava atuando e cooperou para tirá-la daquela situação.
— Eu não costumo concordar com esse tipo de coisa levianamente — disse Lázaro de repente.
Aelita paralisou, encontrando o olhar dele. Ele queria dizer que... não estava apenas cooperando com a cena?
— Sr. Mendes... na verdade eu... — Aelita ficou um pouco desconcertada.
— A Srta. Almeida se arrependeu? — O olhar de Lázaro era sereno.
Aelita ficou atônita.
— Eu...
Antes que Aelita pudesse terminar, bateram na porta com grosseria.
*Pum, pum, pum.*
A força das batidas indicava que a pessoa do lado de fora estava extremamente alterada.
Não precisava adivinhar para saber quem era.
— Algum problema? — O corpo alto de Lázaro bloqueava a entrada.
Octávio respirou fundo, forçando-se a manter a calma.
— Senhor, a mulher no seu quarto é minha noiva. Por favor, devolva-a para mim.
— Ela é uma pessoa, não uma mercadoria. Ela tem pensamentos e vontade própria — retrucou Lázaro friamente.
Octávio, impaciente, gritou para dentro do quarto:
— Aelita, volte comigo, pare com isso. Eu posso explicar o que aconteceu...
— Octávio. — Aelita apareceu atrás de Lázaro, segurando o roupão. Em contraste com a imagem encharcada de antes, agora ela parecia um lírio fresco e delicado.
Octávio sabia melhor do que ninguém o quão bonita Aelita era.
— Não precisa explicar. Na hora de escolher quem salvar na água, você não me escolheu. Minha posição no seu coração já ficou bem clara. — A voz de Aelita era gélida.
Octávio tentou puxá-la para fora, mas Lázaro, parado à porta como um cavaleiro protetor, impedia qualquer avanço.
— Aelita, nós já somos noivos. Você não sabe o quanto é importante para mim? — disse Octávio com voz grave.

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