Octávio desligou o telefone, e a expressão sombria em seu rosto foi instantaneamente substituída por uma mistura de incredulidade e fúria. Momentos antes, ele ainda temia que o homem tivesse algum histórico insondável ou perigoso.
E o resultado... era só isso?
Um ex-militar, um engenheirozinho qualquer? Aquele sujeito ousava disputar uma mulher com ele, Octávio Guedes? E o pior, chegara a fazê-lo sentir-se oprimido. Agora, pensando bem, era risível.
Não passava da truculência bruta adquirida na caserna, nada mais.
— Hã! — Octávio soltou um riso de escárnio, relaxando os ombros.
Imediatamente, pegou o celular e discou para Aelita. Precisava revelar a identidade daquele homem, fazê-la cair na real e ver o tipo de sujeito barato que ela havia arranjado.
No entanto, o celular de Aelita indicava que estava fora de área ou desligado.
Após mais de dez tentativas frustradas, Octávio atirou o aparelho longe, irritado. Ele sabia o quanto Aelita o amava, aquilo não passava de um acesso de raiva passageiro.
—
Na manhã seguinte, Aelita e Luana fizeram o checkout cedo e desceram ao convés inferior para aguardar a atracação.
O telefone de Aelita fora bombardeado por ligações de Octávio e de seu pai, mas ela ignorou todas. Até que um nome surgiu na tela: Lázaro.
— Sr. Mendes — atendeu Aelita.
— Estou na saída esperando por você — a voz grave de Lázaro soou do outro lado.
Aelita desligou e Luana imediatamente se aproximou, curiosa.
— Como ele é? Ontem à noite nem consegui ver o rosto dele direito.
— Você vai ver em um minuto — Aelita sorriu discretamente.
O transatlântico atracou suavemente e os passageiros começaram a desembarcar. Assim que Aelita e Luana chegaram ao portão de saída, avistaram uma figura imponente aguardando.
A luz da manhã incidia sobre o perfil anguloso dele, conferindo-lhe uma beleza quase divina.
Os olhos de Luana arregalaram-se por alguns segundos. Ela beliscou o braço de Aelita discretamente e sussurrou:
— Meu Deus, por que você não me contou? Seu marido relâmpago é um espetáculo, que homem lindo!
Luana pensou consigo mesma que aquele homem transcendia a presença de Octávio.
Aelita pigarreou levemente e apressou o passo em direção a Lázaro.
— Esperou muito?
— Acabei de chegar.
— Esta é minha melhor amiga, Luana. Luana, este é o Sr. Mendes.
Luana, raramente tímida, cumprimentou com uma formalidade incomum.
— Olá, Sr. Mendes.
— Vamos — disse Lázaro, guardando sua via do documento.
Aelita respirou fundo, reprimindo a vertigem da situação, e o seguiu para fora do cartório.
— Hã... você tem onde morar? — perguntou Aelita. Ela possuía um apartamento de luxo em seu nome, mas fora comprado por Octávio.
Definitivamente não poderia ficar lá.
Quanto à casa do pai, já não era seu lar há muito tempo.
— Tenho. Precisa buscar suas coisas? — Lázaro perguntou, estreitando os olhos.
— Você pode ir comigo? Só vou pegar alguns pertences e saio logo — pediu Aelita.
— Claro — Lázaro assentiu.
O coração de Aelita aqueceu. Ainda parecia um sonho, mas aquele homem era, legalmente, seu marido.
Ao chegarem à porta do apartamento, Aelita usou o reconhecimento facial para entrar. Mas, ao empurrar a porta, congelou na soleira.
No sofá da sala, havia alguém sentado.
Octávio.
Ele obviamente esperara por muito tempo. Seu rosto estava terrivelmente sombrio e o cinzeiro sobre a mesa transbordava bitucas de cigarro. Ele estava ali exclusivamente para ela.

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