No entanto, ao ver Aelita na porta, e Lázaro logo atrás dela, a fúria nos olhos de Octávio acendeu-se instantaneamente, e ele se levantou de um salto.
— Aelita, você ainda tem a coragem de aparecer nesta casa? — A voz dele vibrava com uma raiva mal contida. — Você tem noção de quanto tempo eu te procurei?
Como se o fato de procurá-la fosse uma grande benevolência.
Aelita sorriu com amargura por dentro. Sim, nos últimos cinco anos, ela tratara Octávio quase como uma divindade. Bastava ele estalar os dedos para ela o idolatrar.
— Octávio, eu voltei para buscar minhas coisas — disse ela, mantendo a calma.
— Vai se mudar para onde? — A expressão de Octávio piorou.
— Não é da sua conta — Aelita lançou-lhe um olhar indiferente.
Octávio soltou um riso de escárnio, fixando o olhar afiado em Lázaro, atrás dela. O tom era carregado de deboche e desprezo.
— O quê? Planeja viver uma vida miserável com esse pé-rapado? Aelita, não seja ingênua. Ele não tem dinheiro nem para comprar um azulejo do banheiro deste apartamento.
Aelita observou Octávio destilar veneno, o rosto distorcido pelo ódio. De repente, ele parecia um estranho. Era aquele o homem a quem ela amara por cinco anos e a quem dedicara quase tudo?
Não ter o que queria o fazia explodir em fúria? Humilhar deliberadamente?
Ela respirou fundo, engolindo a dor e a irritação, e entrelaçou o braço no de Lázaro, sustentando o olhar de Octávio.
— Deixe-me fazer as apresentações formais. Este é o meu marido, Lázaro. De agora em diante, o tipo de vida que levarei não lhe diz respeito.
— Marido? — A palavra fez a expressão de Octávio mudar drasticamente. Ele questionou, incrédulo: — Vocês se casaram?
Aelita tirou a certidão de casamento da bolsa e mostrou a ele.
— Sim, nós nos casamos.
— Você sustentá-lo? Aelita? Vai sustentá-lo com o quê? Longe de mim, você não é nada.
Aelita apertou os punhos. Nos últimos cinco anos, ela de fato permitira que todos pensassem que era uma flor de estufa dependente de Octávio, gentil, submissa, sem opinião própria. Sua vida boa, seu status, tudo parecia ter sido dado por ele.
Ela até ganhara a fama de "a inútil da Família Almeida".
Agora, ser ridicularizada dessa forma por Octávio... bem, talvez ela merecesse.
Mas isso acabava hoje.
— Octávio, como vou ganhar dinheiro e sustentar minha casa é problema meu. A única certeza é que não vou pedir nada a você — Aelita decidiu que não valia a pena discutir.
Durante cinco anos, para ser a namorada perfeita de Octávio, ela ocultara propositalmente seu brilho e talento, limitando-se a ser a mulherzinha mimada por ele.

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