Uma onda intensa de inconformismo e impulsividade o dominou. Ele estendeu a mão para agarrar o pulso de Aelita, usando aquele tom dominador de sempre:
— Aelita, vamos conversar direito...
Porém, antes que seus dedos tocassem a pele dela, Aelita foi puxada num movimento rápido e firme, sendo envolvida por um peito largo e sólido.
— Não toque na minha esposa.
Acima da cabeça de Aelita, a voz grave masculina soou carregada de posse e autoridade.
O nariz de Aelita foi invadido pelo cheiro limpo e fresco do homem. Ela ergueu o rosto, olhando com admiração para aquele marido que ainda lhe era estranho.
A cena fez o rosto de Octávio escurecer a ponto de quase pingar ódio, uma veia pulsava em sua têmpora.
Ele, Octávio Guedes, uma figura proeminente em Cidade Luminópolis, ter a noiva roubada por um engenheirozinho insignificante? Era uma humilhação suprema!
Ao ver Aelita protegida firmemente naquele abraço, o ciúme e a raiva explodiram juntos.
— Lázaro, não é? Guardei seu nome.
Aelita percebeu que Octávio ia começar a ofender Lázaro novamente e lançou-lhe um olhar de aviso.
— Octávio...
Octávio soltou uma risada fria.
— Quem você pensa que é? Um Zé Ninguém acha que pode competir comigo? Eu te aviso: a Aelita só está confusa momentaneamente. Quando ela cair em si, vai perceber que você não pode oferecer nada a ela e voltará correndo para mim.
A voz de Octávio exalava uma superioridade arrogante, tentando usar status e dinheiro para esmagar Lázaro e recuperar o orgulho ferido.
Em seguida, desviou o olhar para Aelita. Embora seus olhos ainda mostrassem irritação, sua voz suavizou.
— Vamos, amor.
Nos olhos profundos de Lázaro, algo indecifrável se moveu. Ele entreabriu os lábios finos.
— Vamos.
Octávio ficou estático, vendo o casal se afastar de mãos dadas. Seu olhar escureceu e, em seguida, um sorriso frio curvou seus lábios.
Nos últimos cinco anos, fora ele quem transformara a jovem inexperiente naquela mulher deslumbrante. Ele conhecia a criação de Aelita melhor que ninguém, ela estava acostumada a lugares requintados, bolsas de grife, joias, motoristas e empregados. Era uma dama que jamais tocara em água fria.
Como uma Aelita dessas se adaptaria à vida de uma pessoa comum?
— Hã! — Octávio riu sozinho. Um engenheirozinho com horário comercial e salário medíocre provavelmente não ganhava num mês o que Aelita gastava num jantar.

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