O peso de séculos de tradição italiana parecia afundar as almofadas de veludo do sofá no exato instante em que Juliana e Nicola se sentaram. Antes mesmo que o casal pudesse ajeitar a postura, o patriarcha da família limpou a garganta com o tom majestoso de quem prestes a anunciar um decreto real.
— Fico tão feliz que vocês tenham conversado e resolvido dar uma segunda chance a esse amor.
Declarou o Sr. Donato, abrindo os braços como um papa no balcão do Vaticano.
— Sempre soube que, ao lado de Nicola, não existe ninguém mais capacitada para ser a futura Sra. Moretti do que você, Juliana. Você se tornou uma peça fundamental nesta família. Seja bem-vinda de volta ao nosso lar!
Juliana sentiu as bochechas queimarem, mas sustentou o sorriso social impecável que vinha treinando no espelho.
— Também fico imensamente feliz por estar de volta a esta mansão, Sr. Donato. Vocês realmente se tornaram minha segunda família. Senti falta de todos... mas principalmente do senhor, vovô.
Donato abriu um sorriso conspiratório que fez seus olhos quase desaparecerem em meio às rugas.
— E eu mais ainda, minha querida! A saudade era tanta que, dias atrás, executei uma operação resgate de alto risco: apareci de surpresa para jantar na casa dos seus pais só para rever você. E devo dizer, foi uma noite memorável.
Dante, que bebericava seu uísque no canto da sala, quase engasgou. Ele deu um passo à frente, estreitando os olhos para o pai.
— Espera aí... Então o senhor finalmente resolveu confessar o seu segredo, papai? Aquela noite em que o senhor sumiu, mobilizou a segurança e saiu apenas com o motorista, o senhor estava na casa dos pais da Juliana? Eu sabia que tinha um plano mirabolante por trás daquela fugida!
— Não se preocupe, Sr. Dante.
Interveio Juliana, rindo da cara de detetive do futuro sogro.
— O vovô foi extremamente bem acolhido lá em casa. Jantamos, kogamos damas, comemos biscoitos e conversamos por horas. Foi uma noite maravilhosa.

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