Três meses se passaram em um piscar de olhos, e lá estava Nicola, devidamente paramentado com uma touca cirúrgica verde que destruía qualquer resquício de sua elegância, segurando a mão de Juliana com a força de quem se segurava no topo de um penhasco. Matteo estava prestes a fazer sua grande estreia mundial. O nome já fora decidido há semanas, após intensos debates dignos de um comitê da ONU.
Por mais radiante que estivesse, Nicola parecia à beira de um colapso sensorial. Era aquele terror visceral que só surge quando se ama alguém ao ponto da insanidade, o pavor assombrado de que o passado se repetisse, lembrando-se do traumático parto de Caterina. Ele apertava a mão de Juliana tanto que os dedos dela já mudavam de cor.
— Querido... se você quebrar a minha mão, eu não vou conseguir segurar o nosso filho.
Sussurrou Juliana, entre uma respiração profunda e uma risada contida.
Antes que Nicola pudesse pedir desculpas e ter um teto preto ali mesmo, a obstetra interrompeu o pânico com a autoridade de quem comanda um show:
— Nasceu! Um menino lindo, forte e com pulmões perfeitamente operacionais!
O choro agudo ressoou pela sala. Nicola acabava de se tornar pai novamente; Juliana estreava na maternidade. Quando ela olhou para ele, Nicola sentiu a armadura de medo congelado ruir instantaneamente, dando lugar a uma avalanche de alívio.
— O Matteo é lindo, Nicola...
Sussurrou ela, com a voz embargada de exaustão e encanto.
— Sim, meu amor...
Nicola limpou uma lágrima intrusa antes que ela caísse no centro cirúrgico.
— O futuro sucessor do clã Moretti. Sem pressa de assumir os negócios, claro, mas já tem vaga garantida.
A enfermeira levou o pequeno para o banho e, minutos depois, entregou aquele pacotinho cheiroso e embrulhado direto nos braços da mãe. Juliana desabou em lágrimas de alegria no mesmo instante.
— Olha isso, Nicola... Os olhos dele são cinzentos como os seus. Ele é literalmente a sua cópia em miniatura, só que menos neurótico.
Nicola sempre acreditou, com a exatidão de um cálculo matemático, que já havia atingido o limite absoluto da sua capacidade de amar quando olhou para Gianne, sua filha mais velha, pela primeira vez. Ele estava redondamente enganado. Bastou uma única olhada para os punhos fechados de Matteo para perceber que o coração de um pai não se divide, se multiplica.
— Ele é perfeito, Juliana... Obrigado por isso. Obrigado por me fazer tão feliz.

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