UMA FESTA DE BOAS VINDAS
Naquela tarde o por do sol tingia de dourado as janelas da imponente mansão Salvattore, enquanto Henry e seu avô, tomavam duas xiicaras de café brasileiro no escritório revestido de carvalho. Ele entregou a xícara ao avô, Lorenzo, cujo olhar sagaz ainda retinha o brilho de quem construiu um império do zero.
— Foi melhor do que o esperado, vovô!
Disse Henry, afrouxando o nó da gravata.
— A reunião com a diretoria e os acionistas foi um sucesso absoluto. Os números falaram por si, e o plano de expansão os deixou... bem, devidamente impressionados.
Lorenzo sorriu, brindando silenciosamente. No entanto, o semblante de Henry logo se obscureceu.
— Mas nem tudo foi perfeito. Alguém lá dentro abriu a boca antes da hora. Já vazou que a Salvattore tem um novo CEO. Detesto perder o controle da informação antes de estar tudo assinado e selado.
Lorenzo soltou uma risada rouca e tranquila, recostando-se na sua cadeira de rodas.
— Beba seu café Henry. Relaxe. O fato de saberem que há um novo CEO não é um problema. Na verdade, cria uma expectativa saudável no mercado.
— Mas a discrição era o plano, vovô...
— E o plano continua de pé!
Interrompeu o patriarca com um piscar de olhos.
— Todos sabem que meu neto assumirá o trono, mas ninguém fora daquela sala de reuniões sabe quem é Henry Salvattore. Para os demais funcionários da sede e para a imprensa faminta, você ainda é apenas um nome, um mistério sem rosto. Você passou anos estudando fora, longe dos holofotes. Use isso a seu favor.
Henry caminhou até a janela, observando os vastos jardins da propriedade. Um sorriso astuto começou a surgir em seu rosto.
— Um mistério, hein? —
Henry virou-se para o avô.
— Se ninguém conhece meu rosto, então eu tenho uma vantagem que nenhum outro CEO teve antes.
— O que está tramando?
Perguntou Lorenzo, divertido.
— Eu não vou entrar naquela empresa com tapete vermelho e seguranças na segunda-feira. Vou circular por cada departamento disfarçado. Quero ver como as coisas funcionam quando os chefes não estão olhando. Quero conhecer o caráter de quem trabalha para nós, do almoxarifado ao marketing, sem que eles tentem me bajular.
_Uma noiva que seja elegante, bonita e conhecida na sociedade italiana.
Henry fechou o laptop com um estalo seco, a expressão endurecendo.
— Isso é um erro. Uma festa com esses nomes vai atrair a imprensa como sangue atrai tubarões. Não quero meu rosto em colunas de fofoca ou fotógrafos escondidos nos jardins tentando capturar qualquer movimento nosso. A privacidade é nosso maior ativo agora.
Lorenzo soltou uma risada curta, balançando a mão no ar como se espantasse uma mosca.
— Você me subestima, meu rapaz. Eu não sou um amador. A segurança será triplicada e o protocolo é absoluto: nenhum celular passará da portaria. A mídia não passará pelo portão principal, muito menos pelos meus homens. Será um bunker de elegância. Nada sai daquelas paredes.
Mesmo com a garantia, o silêncio de Henry foi pesado. Ele se levantou e caminhou até a janela, observando as luzes da cidade começando a brilhar. Ele sabia que o esquema de segurança de Lorenzo era impecável, mas o problema não era o "vazamento" da festa, e sim o propósito dela.
— Não é a imprensa que o senhor está tentando controlar, não é?
Henry disse, sem se virar.
— O senhor quer o meu casamento a qualquer custo. Está organizando um leilão onde eu sou o prêmio e a mercadoria.

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