Donato ajeitou os óculos na ponta do nariz, deu uma tragada lenta no seu cachimbo apagado, apenas pelo charme do drama, e encarou o neto com a profundidade de um filósofo grego que acabou de pegar alguém no pulo.
— Tem certeza absoluta, meu filho, de que a Juliana foi a única mulher que você já amou nessa vida? Porque, até onde minha memória de oitenta anos me permite lembrar, você era completamente alucinado pela Caterina. Pelo amor de Deus, Nicola, você fez uma filha com ela! Isso costuma ser um indicativo razoável de interesse!
Nicola travou. O copo de uísque congelou no meio do caminho até a boca, e a espinha dorsal dele ereta como uma vara de bambu entregava o pânico. Ele engoliu em seco, olhando ao redor como se procurasse uma saída de emergência secreta na sala do avô.
— Vovô, escuta aqui, aquilo nunca foi amor!
Protestou Nicola, gesticulando dramaticamente, quase derrubando o uísque no tapete.
— Eu estou falando de amor de verdade, o tipo de amor que a gente compara com a Juliana! O que eu sentia pela Caterina era… sei lá, hormônio puro, paixão de adolescência, demência de juventude! Era um incêndio descontrolado, uma loucura de furacão! Agora, com a Juliana? Não. Com a Juliana é arquitetura sólida, é coisa pra vida toda. Ela é a mulher que eu quero ao meu lado no sofá, na velhice, enchendo a casa como a mãe dos meus… dos meus outros filhos!
Donato rolou os olhos com tanta força que por um segundo achou que veria o próprio cérebro. Soltou um suspiro pesado, bateu a bengala no chão com estrondo e apontou o dedo trêmulo, porém acusador, na cara do rapaz.
— Então, seu grandessíssimo imbecil, levante desse sofá e vá lutar por esse amor! Não fica aí jogado feito um saco de batatas esperando o primeiro espertinho aparecer, dar um banho de loja e levar a mulher da sua vida embora!
O rosto de Nicola perdeu todo o corante natural. A cor da pele mudou instantaneamente de pardo para gesso de parede.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira