— Posso... posso ver minha filha?
— Claro, Sr. Moretti. Ela já foi levada ao berçário.
Diante do vidro do berçário, a imagem da recém-nascida rompeu parte do entorpecimento de Nicola. A enfermeira ergueu a pequena envolta em uma manta clara. Apesar de a ciência dizer que recém-nascidos raramente ostentam traços definidos, aquela garotinha de pele alva era a cópia fiel e dolorosa de Caterina.
— É uma menina linda e muito forte, com mais de três quilos.
Comentou a enfermeira através do intercomunicador.
Lágrimas silenciosas cortaram o rosto de Nicola. Stella, ao seu lado, murmurou emocionada:
— Olha, Dante... como a nossa netinha é perfeita.
Dante colocou a mão sobre o ombro do filho, trazendo a realidade de volta à tona.
— Nicola... precisamos providenciar os trâmites. Você vai sepultá-la aqui ou levaremos o corpo de volta para a Itália?
— Ela voltará para a Itália.
Respondeu Nicola, com o olhar fixo na filha.
— Ficará no mausoléu da família dela, ao lado de sua irmã, Gina. Jamais deixaria a mãe da minha filha sepultada em terra estranha.
A burocracia suíça exigia o registro de nascimento para a alta da recém-nascida. Enquanto finalizavam os papéis de liberação do corpo e do bebê, Stella questionou sobre o nome da criança.
— O nome dela será Gianne Moretti.
— Ela não levará o sobrenome dos Visconti?
Indagou Dante, surpreso.

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