O rugido dos motores do jatinho particular ainda ressoava nos ouvidos de Nicola quando ele cruzou, a passos largos e desesperados, as portas automáticas da clínica em Zurique. O ar gélido da Suíça parecia contrastar com o calor asfixiante que queimava em seu peito. A bolsa de Caterina havia estourado antes do prazo estipulado para a cesariana, forçando uma mudança drástica de planos. Ela completara os nove meses, mas o destino parecia ter apressado o relógio.
Na recepção asséptica e silenciosa, a ordem foi direta: aguardar. Acompanhado por seus pais, Dante e Stella, Nicola andava de um lado para o outro no corredor de iluminação fria. Cada segundo arrastava-se como uma eternidade. Uma hora havia se passado desde sua chegada, e o silêncio da equipe médica cobria o ambiente como um manto pesado.
— Calma, meu filho. Mantenha a calma.
Pediu Stella, alisando as costas do filho com as mãos trêmulas.
— Partos naturais são imprevisíveis. Ela provavelmente ainda não atingiu a dilatação necessária. Tudo vai dar certo.
— Como ter calma, mamãe?
Nicola retrucou, a voz embargada pela tensão e os olhos fixos na porta dupla do centro cirúrgico.
— Ninguém vem nos dar notícias! Estamos presos nesta sala há mais de uma hora e o silêncio é total.
Antes que Stella pudesse responder, a porta se abriu. O obstetra principal surgiu com passos pesados, o semblante rígido e os olhos cansados revelando a gravidade da situação antes mesmo que pronunciasse a primeira palavra.
— Senhor Moretti...
Dsse o médico, baixando o tom de voz.
— A paciente Caterina Visconti ainda não deu à luz. Tivemos complicações severas. Tentamos prosseguir com o parto natural já que ela deu entrada em trabalho de parto avançado, mas o bebê acabou virando e ficou atravessado. Precisamos intervir imediatamente com uma cesariana de altíssimo risco.

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