— Não há necessidade. Deixo que ele se revele na hora certa. Mas eu sei, Anitta. Mães sabem. É um menino. O Nicola também nunca pressionou para descobrir, então para que a palhaçada de um chá revelação? Para atrair holofotes sobre um exílio? Para um momento entre pai e mãe que deveriam estarem juntos?
Anitta se inclinou para a frente, o tom de voz caindo para um sussurro carregado de piedade e conspiração.
— Me dá um aperto no peito ver tudo o que você passou, amiga. O Nicola descobrindo a verdade, a prisão humilhante dos seus pais... E você, jogada neste fim de mundo na Suíça só para parir longe dos escândalos da Itália. A imprensa está louca! Todos especulam sobre o paradeiro da ex-noiva de Nicola Moretti, sem nem imaginar que você carrega o filho dele no ventre.
Um riso amargo e seco escapou dos lábios de Caterina.
— O Nicola não se importa comigo. Nem com esse bebê. Ele só está esperando a hora do parto para dar o ar da graça e cumprir o protocolo. Lembra de meses atrás, quando quase perdi a criança? Ele apareceu, fez a cena do pai preocupado, mas foi só o médico me dar alta que ele pegou o jato e sumiu. Nunca mais pisou aqui.
Ela fez uma pausa, e um brilho venenoso despontou em seus olhos.
— Mas há um consolo nisso tudo: ele não voltou para aquela empregada miserável. Pelo que acompanho, a garota nunca o perdoou.
— E nem vai!
Anitta deu uma risadinha debochada.
— Acho é pouco para os dois. Aquela morta de fome nunca aceitou a ideia deste filho e agora odeia o Nicola. Mas escuta o que estou te dizendo: essa criança é a sua jogada de mestre. Espera esse menino nascer! Você vai usar o garoto para dobrar o Nicola. Com um herdeiro nos braços, você tem a faca e o queijo na mão. O Moretti vai ser obrigado a estar presente. E quanto àquela desqualificada da Juliana? Não vai sobrar espaço nem para o fantasma dela na vida dele. O Nicola vai viver em função do filho... e de você.
Caterina levantou-se devagar, a postura ereta e altiva apesar do peso do oitavo mês. A promessa de poder parecia alimentá-la mais do que qualquer remédio.
— Eu não fico mais um segundo nesta prisão de gelo assim que o bebê nascer.
Declarou, a voz gélida.
— Vou pisar na Itália com a criança nos meus braços. Vou reconquistar o Nicola pedaço por pedaço, até ter aquele homem comendo na minha mão de novo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira