Naquela mesma semana, Valério e Vittória reuniram as suas famílias para contar a novidade num jantar. O encontro foi na mansão Moretti.
Se as famílias Moretti e Mancini já eram naturalmente dramáticas, o suspense mantido por Valério e Vittória deixava a sala à beira de um colapso nervoso coletivo. Todos estavam a postos: os sogros Ada e Giorgio, Enzo com Antonella e a pequena Ginevra de 8 meses no colo
— Espero sinceramente que seja algo bom.
Resmungou Donato, ajeitando a postura com a severidade de um patriarca que já viveu sob guerras.
— Meus nervos não aguentam mais. A Caterina quase perdeu o bebê, e agora esse suspense!
— Já passou, vovô.
Nicola interveio, mostrando a tela do celular como quem exibe um escudo protetor.
— Falei com ela hoje. Está tudo estabilizado na Suíça. Enfermeiros 24 horas, dieta balanceada e repouso. O bebê está ótimo e ela enviou os exames.
— Graças a Deus.
Stella suspirou, levando a mão ao peito.
— Mas ela precisa se ciidar mais.
— Eu já dei aa instruções, mamãe. Tá tudo sob controle.
Dante soltou um suspiro tão fundo que quase apagou as velas da sala. A trégua durou três segundos, até Elisabetta bater as palmas e anunciar o jantar com o entusiasmo de quem comanda um batalhão:
— Mesa, pessoal! Tudo pronto. E depois do banquete, meus queridos Valério e Vittória vão nos dar uma surpresa agradável. Estou surtando de ansiedade!
— Uma surpresa não, mamãe.
Valério piscou, ajustando o terno.
— Três surpresas agradáveis. Mas primeiro, a comida.
O jantar transcorreu sob uma falsa calma. Entre garfadas de massa e gesticulações italianas, os olhares queimavam sobre o casal. Quando finalmente se reuniram na sala principal, o ar congelou.
— Pelo amor de Santo Antônio, falem logo!
Implorou Ada, chacoalhando a bebê Ginevra como se a menina também quisesse respostas.
— Vocês vão nos matar!
— Concordo com a minha esposa.
Giorgio Mancini limpou o suor da testa com o lenço.
— Que mistério todo é esse?
— Vittória, minha irmã, pelo amor de Deus, fala antes que o papai enfarte!
— Enzo soltou, roendo a unha.
— Calma, gente!
Vittória riu, levantando as mãos defensivamente.

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