Ainda naquela noite, a chuva forte que açoitava os vidros da cobertura parecia prever a tempestade que estava por vir. Quando o elevador privativo se abriu, Caterina não encontrou apenas Nicola Moretti. Ao lado dele, impassíveis e carregando maletas metálicas, estavam três profissionais de jaleco branco.
O ar no átrio pareceu congelar. Caterina recuou um passo, a mão instintivamente protegendo o ventre ainda discreto.
— Quem são esses homens, Nicola?
A voz dela falhou por um segundo antes de ganhar o tom ríspido defensivo.
— Quem são esses na minha casa, Nicola?
Sem dar uma única palavra de saudação, Nicola passou por ela como se cruzasse com um móvel qualquer. Um gesto frio de cabeça foi o suficiente para que os enfermeiros entrassem e começassem a preparar o material sobre a mesa de centro de mármore. Caterina bateu a porta pesada de madeira e cruzou os braços, a respiração descompassada.
— Eles estão aqui para coletar o seu sangue, Caterin.
Nicola disse, desabotoando o paletó de corte impecável com uma calma exasperante.
— Quero o exame de DNA desse bebê no seu ventre. Para ontem.
— O combinado não era esperar o nascimento?
Ela deu um passo à frente, os olhos faiscando.
— Eu mudei de ideia. Não vou passar meses alimentando a incerteza.
Caterina sustentou o olhar dele, engolindo a seco o orgulho ferido.
— Tudo bem, Nicola. Faça a sua palhaçada. Essa criança é sua. Eu não deitei com mais ninguém, e você sabe disso. Minha consciência está absolutamente limpa.
O procedimento foi rápido, cirúrgico e silencioso. Em menos de quinze minutos, o sangue fora retirado, os tubos selados e a equipe dispensada. Apenas o estalar metálico do fecho da maleta ecoou antes que a porta voltasse a se fechar, deixando os dois imersos em um silêncio sufocante.
— Arrume suas malas.
Nicola rompeu a quietude com tom imperativo.
— Amanhã, bem cedo, você embarca de volta para a Suíça. Vai ter essa criança lá.
A palavra Suíça caiu sobre Caterina como um golpe físico. A cor sumiu de seu rosto instantaneamente.
— Com o mundo inteiro à sua disposição, você quer me mandar de volta para aquele inferno?
A voz dela subiu de tom, carregada de um desespero cru.
— Você sabe o quanto eu detesto aquele lugar! Aquele país é um fantasma na minha vida!
Nicola soltou uma risada curta, gélida, destituída de qualquer empatia.
— Inferno, Caterina? Que memória seletiva adorável a sua. Pelo que me lembro, você viveu lá cercada pelo luxo mais absurdo, bancada por mim do bom e do melhor. Sem contar as minhas visitas constantes... Quem viveu um inferno foi a sua irmã, Gina. Nós éramos amantes e você adorava cada segundo das minhas visitas secretas.

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