A tarde na mansão Visconti parecia cena de filme, mas daqueles com orçamento meio duvidoso. O esquadrão da polícia italiana não bateu na porta; praticamente derrubou o portão de ferro trabalhado, trazendo junto um mandado de prisão novinho em folha para o patriarca Stefano Visconti e sua elegantíssima esposa, Lucrécia. O orgulho da aristocracia local foi esmagado ao vivo, em alta definição, para toda a Itália assistir de camarote.
Do lado de fora, a imprensa formava um verdadeiro circo. Flashs pipocavam e repórteres estapeavam-se por espaço enquanto o casal saía escoltado. Stefano tentava manter a postura de lorde com as algemas reluzindo no pulso, e Lucrécia olhava para as câmeras com o mesmo desdém de quem acabou de pisar num chiclete usando um sapato de sola vermelha. A manchete brilhava em vermelho neon nos jornais: lavagem de dinheiro, agiotagem e uma lista de esquemas ilegais que faria qualquer chefão da máfia pedir consultoria. Em questão de minutos, a mansão foi lacrada com fita de isolamento, a fábrica da família teve as portas correntadas e o império Visconti virou cinzas bancárias. Falência total.
Mas o mistério da tarde atendia pelo nome de Caterina, a herdeira e ex-noiva do bilionário Nicola Moretti. Onde diabos estava a garota? O público especulava de tudo: uns juravam que ela tinha fugido para as Bahamas disfarçada; outros garantiam que Nicola a mantinha escondida em algum bunker de luxo. A fofoca só perdeu força quando o delegado deu uma coletiva seca, confirmando que a ficha da moça estava mais limpa que espelho de hotel: apenas os pais eram picaretas diplomados.
À noite, no apartamento de Juliana, o clima era de final de campeonato. Isabel estava jogada no sofá, devorando uma tigela macarrão enquanto encarava a televisão com o queixo quase tocando o piso.
— Juliana, para tudo! Os Visconti não eram chiques, eram uma quadrilha! Olha essa matéria, os velhos foram empossados na cadeia hoje à tarde!
Juliana encostou no batente da porta, cruzando os braços com um sorriso de pura veneno.
— Ah, me poupe. A Caterina pode não estar na lista da polícia, mas duvido que não saiba lavar uma nota de euro como ninguém. Se o nome dela não apareceu, tem dedo do Nicola Moretti aí. Ele tá cobrindo o rastro dela por trás dos panos.
— Faz sentido.
Concordou Isabel, limpando o sal da mão no short.


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