Faltava exatamente uma semana para o casamento do século ou, ao menos, para o evento que salvaria a família Visconti da falência absoluta e da cadeia.
Enquanto a tradicionalíssima família Moretti mantinha um silêncio funeral e zero empolgação com o matrimônio, os Visconti já contavam as notas de euro antes mesmo de receberem. Afinal, Nicola Moretti cometeu o gravíssimo erro de dar um cartão sem limite e carta branca para Caterina planejar a cerimônia.
No salão da propriedade dos Visconti, entre taças de champanhe barato e folhetos de decoração que custavam o olho da cara, Lucrécia ajustava a postura da filha com a soberba de quem tinha acabado de ganhar a loteria.
— Filha, já que o noivo liberou o cofre, vamos esculpir esse casamento no mármore se for preciso! Vai ser um luxo! O evento daquela sonsa da sua irmã Gina não chegou nem aos pés da sola do seu sapato customizado. Quer dizer... que a falecida descanse em paz, claro, mas convenhamos: que festinha mequetrefe foi a dela.
Caterina soltou uma risada debochada, ajeitando o vestido justo que disfarçava a barriga de poucos meses.
— Mamãe, nem me lembre! Aquele casamento da Gina com o Nicola foi um fiasco patético. A coitada nem teve lua de mel direito! Enquanto eles viajavam, eu ligava para o Nicola de cinco em cinco minutos reclamando de "crises de ansiedade". Ele largava ela no hotel e corria para falar comigo pelo telefone! E a mansão? Ela achava que ia mandar ali... Mas aquele palácio foi projetado com closet duplo e vista para a cidade pensando em mim. A Gina nunca ocupou aquele espaço porque Nicola nunca permitiu, porque tudo ali foi feito com meu gosto.
— Ah, minha filha, isso é o que eu chamo de arquitetura do destino!
Lucrécia aplaudiu as próprias mãos, radiante.
— O Nicola construir aquela maravilha pensando em você é a maior prova de amor. A pobre da Gina foi só um estepe temporário no jogo dos Moretti.

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