Sem esperar a resposta (ou a validação do crachá), Nicola girou sobre os calcanhares e cruzou a catraca com a imponência de um imperador prestes a invadir um território que ele achava ser ainda seu.
Juliana estava num verdadeiro transe no sofá, vestindo seu pijama de gatinhos e devorando uma bacia de pipoca enquanto assistia a um filme aleatório. A paz reinava até que a campainha começou a tocar desesperadamente, parecendo um alarme de incêndio.
Ela rolou os olhos, soltou um suspiro dramático e se arrastou até a porta pisando fundo.
— Tinha que ser a Isabel... Perdeu a chave pela terceira vez só essa semana. Vou começar a cobrar pedágio!
Mas, ao girar a maçaneta, o susto foi tão grande que a pipoca quase voou do pote. Parado ali, como se estivesse num comercial de perfume caro, estava Nicola. Lindo e elegante.
— Nicola?! O que você tá fazendo aqui? Como diabos você passou pela portaria?
Sem pedir licença, Nicola passou por ela deslizando como um fantasma inconveniente e refinado.
— Eu tenho meus meios.
Respondeu ele, com aquele tom misterioso de quem provavelmente subiu pela escada de incêndio só para fazer entrada triunfal.
— Ei, alto lá! Eu não te dei permissão para invadir meu templo de descanso.
Disse Juliana, mostrando a porta e cruzando os olhos.
— Saia!
Ignorando o surto, Nicola jogou-se no sofá, cruzou as pernas longas com uma elegância irritante, olhou no fundo dos olhos dela e soltou, na maior cara de pau:
— Eu aceito um café. Bem quentinho, por favor.
Juliana sentiu o sangue subir direto para a testa.
— Se você quiser café quentinho, vai pedir na cobertura de luxo da sua noiva! Aqui só tem ranço e água da torneira.
— O café dela não chega aos pés do seu...
Provocou Nicola, passando o olhar por ela de cima a baixo com um sorriso de canto de boca.
— Você não é bem-vindo aqui! Vai embora antes que eu use essa bacia de pipoca como arma arremessável!
Juliana apontou para a porta com a firmeza de um general.
Nicola perdeu o sorriso brincalhão e franziu a testa, o ciúme quase soltando fumaça pelos ouvidos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira