A semana seguinte no Grupo Moretti não começou; ela desabou sobre os funcionários como uma tempestade de areia. Nicola Moretti não estava apenas em um dia ruim, ele parecia ter feito um pacto com o próprio caos para exterminar qualquer vestígio de paz na empresa.
Nos corredores, o clima era de filme de terror pós-apocalíptico. Se as luzes piscassem, ninguém acharia que era falha elétrica, mas sim a aura negra do chefe se aproximando. Os diretores de departamento, homens e mulheres cascudos que peitavam qualquer auditoria, tremiam feito varas verdes na porta da sala de reuniões. Entrar ali virou uma modalidade de esporte radical sem equipamento de segurança: a cada dez minutos, um executivo saía com o ego em migalhas e a dignidade amassada.
Ninguém ousava cruzar o caminho de Nicola. Se o elevador privado abria e ele estava dentro, as pessoas subitamente "lembravam" que preferiam descer vinte andares de escada. Os mais azarentos, que acabavam no mesmo raio de dois metros que o chefe, tentavam a tática de prender a respiração porque sim, até o ar entrando no pulmão alheio parecia irritar os ouvidos apurados do tirano.
O grande mistério do cafezinho era: o que diabo deu nele? O homem esta noivo! Tem um casamento à vista com o suposto amor da sua vida! Teoricamente, Nicola deveria estar escolhendo a cor dos guardanapos ou flutuando numa nuvem de paixão com sua amada Caterina. Em vez disso, agia como se estivesse prestes a assinar a própria sentença de morte no altar.
Muitos diziam:
— Ele ficou assim depois que a Juliana Rossi terminou com ele.
Outros negavam essa teoria.
— Ele nunca amou a Rossi, ela foi apenas um tapa buracos para ele tentar esquecer a Caterina. Acho que ele está agindo assim porque está nervoso, porque irá casar enfim com a mulher que sempre amou.
Mas quem realmente pagava a conta desse inferno astral foi o departamento de Relações Públicas. Mais especificamente, Viviana. Coitada da Viviana. Ela cometeu o "crime" de assumir a diretoria no lugar da Juliana, e Nicola parecia ter feito disso uma cruzada pessoal contra a mulher.
— Isso é uma apresentação ou um desenho infantil de pré-escola, Viviana?
Disparava ele, sem sequer piscar, na frente de toda a diretoria.
Qualquer relatório entregue vinha acompanhado do fantasma da antecessora.

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