Assim que a porta principal se fechou atrás deles, o silêncio na sala continuou pesado. Stella suspirou, limpando uma lágrima discreta:
— Tomara que no caminho eles conversem e se acertem...
— Eu não teria tanta certeza, Stella.
Ponderou Dante, fitando o vazio.
— Juliana parecia irreversivelmente decidida.
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Dentro do carro de luxo de Nicola, o silêncio durou apenas até cruzarem os portões de ferro da mansão. Assim que ganharam a avenida iluminada, Nicola soltou uma risada baixa e sarcástica, ajustando os punhos do terno.
— Parabéns pela atuação, Juliana. Foi simplesmente impecável. Minha família agora está convicta de que você me deixou e, o melhor de tudo, eu saí como o coitado abandonado. Quando eu assumir a Caterina daqui a um mês, ninguém terá moral para questionar minhas atitudes.
— O nosso plano desde o início deste contrato de falso namoro era exatamente esse, Nicola.
Respondeu ela, olhando fixamente para a pista, mantendo a voz impassível.
— E não se esqueça: segunda-feira, pontualmente às oito da manhã, esteja na minha sala para assinar o distrato. Você estará livre de qualquer cláusula, exceto a de assumir a responsabilidade perante a imprensa quando o término vazar.
— Tudo bem.
A resposta curta e desprovida de qualquer emoção fez o peito de Nicola doer, e Nicola tencionou as mãos no volante. Ele esperava algum drama, uma hesitação, talvez um traço de ressentimento por ter sido usada no jogo de poder dele. Mas a indiferença absoluta de Juliana o atingiu como um golpe invisível.
Ele deveria estar comemorando a vitória perfeita da sua farsa. No entanto, enquanto olhava de canto de olho para o perfil sereno de Juliana contra as luzes da cidade, uma irritação desconhecida e profunda começou a corroer seu peito a incômoda sensação de que, ao fechar aquele negócio, ele havia acabado de perder algo que nem sabia que possuía.
Assim que Juliana cruzou a porta do apartamento, o drama não pediu licença: o choro represado explodiu de uma vez só. Ela tropeçou nos próprios pés, jogou a bolsa na poltrona e desabou nos braços de Isabel como se ossos fossem apenas um detalhe opcional.
— Isa, acabou! O maldito contrato de namoro falso finalmente venceu!
Soluçou Juliana, enxugando o nariz na manga do casaco.
— Graças a Deus, porque meu estômago já tinha virado um nó. Eu estou à beira de um colapso! E o topo do vexame: eu me apaixonei por aquele idiota. Mas eu juro, nem que eu precise tomar um chá de amnésia, eu vou esquecer o Nicola!

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