O tilintar dos talheres de prata contra a porcelana cara ainda ecoava na sala de jantar da mansão Moretti quando o café foi servido. O ar, antes impregnado pelo aroma de vinho encorpado e pela euforia dos preparativos para o futuro noivado entre Nicola, Juliana, Valério e Vittória, tornou-se subitamente denso. Juliana respirou fundo, sentindo o tecido do vestido caro apertar seu peito. Chegara a hora de executar a última cláusula do acordo.
— Eu preciso dizer uma coisa a todos vocês, e isso não pode esperar mais.
Começou Juliana, a voz firme cortando a conversa animada. Ela se levantou, atraindo os olhares curiosos na sala.
Eu não posso continuar meu namoro com o Nicola. Não haverá noivado. Eu não o amo mais, sou jovem demais para me prender a um casamento e preciso focar na minha carreira em Relações Públicas daqui para frente.
O silêncio que se seguiu foi devastador. A atmosfera festiva ruiu em segundos.
Subitamente, Nicola se levantou e se ajoelhou aos pés de Juliana, os olhos marejados em uma performance milimetricamente calculada.
— Não faz isso comigo, meu amor! Eu te amo tanto... Se você acha cedo, nós esperamos! Você escolhe a data, o ano, o tempo que precisar, mas não desista de nós!
Suplicou ele, a voz embargada.
Juliana engoliu a seco, mantendo a postura diante do espetáculo teatral do homem a sua frente.
— Levante-se, Nicola, por favor. Não dá mais.
Dsse ela, mantendo o tom sóbrio.
— Eu agradeço por tudo o que você fez por mim, mas acabou. E agradeço do fundo do meu coração a cada um de vocês da família Moretti pelo carinho imenso neste último ano.
O velho Donato, avô de Nicola o patriarca da família, inclinou-se para a frente na poltrona. Seu rosto trazia marcas profundas de perplexidade e dor.
— Juliana, minha filha... o que aconteceu? Nos conte a verdade.
Pediu Donato, a voz trêmula.
— Nicola te fez alguma coisa? Você descobriu algum podre dele? Pode falar, este teto não protege injustiças.
— Não, vovô, absolutamente nada, Nicola não fez nada.
Respondeu Juliana, negando com a cabeça e sentindo um nó na garganta diante da sinceridade do idoso.
— O Nicola sempre foi um namorado atencioso, impecável, fazendo todas as minhas vontades. A culpa é minha. Eu já vinha querendo terminar há algum tempo, mas me faltava coragem. Vendo a empolgação de vocês para o noivado daqui a duas semanas, percebi que seria cruel continuar. Eu não quero noivar. Espero sinceramente que ele encontre a mulher certa.
— Juliana, não me deixe... Você é a mulher certa!

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