O ponteiro do relógio no painel marcava pontualmente sete da noite quando Nicola estacionou no prédio de Juliana. Ela já o esperava na recepção, vestida com impecável elegância, uma armadura de seda e salto alto pronta para o massacre social que viria a seguir. Sua intenção inicial era dirigir o próprio carro, mas Nicola insistira em buscá-la. Ele não podia se dar ao luxo de parecer um namorado negligente, não no último ato daquela farsa.
O silêncio dentro do veículo era denso, sufocante, quebrado apenas pelo ronco discreto do motor a caminho da imponente mansão Moretti. O tradicional jantar de sexta-feira nunca pareceu tão intimidador.
— Juliana, escute bem...
Nicola quebrou o gelo, a voz gélida, cortando o ar pesado do carro sem sequer desviar os olhos do asfalto.
— É você quem vai dar o fim. É você quem vai olhar nos olhos da minha família e dizer que não quer mais continuar.
Juliana apenas ajeitou a postura, o olhar fixo na iluminação fraca das ruas que passavam como vultos pela janela.
— Eu já sei o meu papel, Nicola. Não precisa me lembrar a cada cinco minutos.
— Não basta saber, você precisa executar com perfeição.
Rebateu ele, endurecendo o tom.
— Depois que a notícia se espalhar, é você quem vai dar a cara para a mídia e declarar o término. Para o mundo inteiro, eu serei apenas o namorado apaixonado, pego de surpresa, devastado pelo seu abandono. Minha família e a imprensa ficarão de mãos atadas, sem espaço para perguntas. E é aí, exatamente nesse momento de vulnerabilidade pública, que eu vou assumir a Caterina um mês depois. Diante de todos. Como minha noiva e minha futura esposa.
Houve um segundo de pausa em que o peso daquelas palavras se instalou entre eles. Juliana, no entanto, não tremeu. Com uma calmaria quase aterrorizante, ela virou o rosto na direção dele, a expressão completamente desprovida de emoção.
— Você e a sua querida Caterina podem dormir tranquilos. Eu cumpro as minhas cláusulas. Farei exatamente o que está no contrato.

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