A poeira da festa de aniversário de Henry finalmente baixava. Com o eco das últimas risadas ainda rondando o salão, os convidados começaram a se dispersar na noite fria. Nicola encarregou-se de levar Juliana e Isabel, deixando Valério com Vittória conversando.
Valério se ofereceu para dá uma carona para Vittória, porque ele tinha outros planos para aquela madrugada que se iniciava.
Dentro do carro, o silêncio durou pouco. Valério segurava o volante com uma postura relaxada, mas o olhar fixo na estrada carregava uma tensão diferente, quase ansiosa. Ele reduziu a marcha e quebrou o gelo:
— A noite ainda é uma criança, e eu definitivamente não estou a fim de te entregar de volta à mansão Mancini agora. Vamos ao meu apartamento. Preciso ter uma conversa séria com você.
Vittória virou o rosto na direção dele, arqueando uma sobrancelha com um sorriso desconfiado e provocativo nos lábios.
— Aquele apartamento? O mesmo onde você já recebeu metade da população feminina da Itália?
Valério soltou uma risada baixa, sincera, enquanto o farol vermelho refletia no seu rosto. Ele virou-se para ela, suave, e o tom de voz baixou para algo quase confessional:
— Levava, no passado. As únicas mulheres que pisam ou vão pisar naquele lugar a partir de hoje são você, a minha mãe. e a senhora que faz a limpeza lá a anos.
A resposta arrancou um riso genuíno de Vittória. Sentindo o peito aquecer com a entrega dele, ela apenas acenou com a cabeça:
— Tudo bem.
Quinze minutos depois, o barulho da cidade ficou para trás. O apartamento, iluminado apenas pela luz suave da cidade que entrava pelas grandes janelas de vidro, parecia maior e mais silencioso. Sentados lado a lado no sofá de couro, a distância entre os dois era carregada de uma expectativa palpável.

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