O ar daquela noite carregava um peso diferente, uma eletricidade suspensa que anunciava que nada seria como antes. A grande hora finalmente havia chegado: o tão aguardado evento de aniversário de Henry Salvattore prometia parar a elite da cidade.
Eram exatamente sete da noite quando Nicola estacionou em frente ao edifício de Juliana. O motor do carro silenciou, mas sua mente continuava inquieta. Com os dedos batendo ritmicamente no volante, ele pegou o celular e enviou a mensagem:
"Estou aqui embaixo, na frente do seu prédio. Já estou subindo, espero que esteja pronta."
A resposta veio quase instantânea, direta e sutil:
"Pode subir. Estou te esperando."
Minutos depois, Nicola se encontrava no corredor silencioso, parado diante da porta do apartamento. Ele ajustou a manga do terno, respirou fundo e tocou a campainha. O som ecoou suavemente lá dentro, seguido por passos leves que se aproximavam.
Quando a porta finalmente se abriu, o tempo pareceu desacelerar. O ar fugiu por completo dos pulmões de Nicola.
Juliana não estava apenas bonita; ela parecia uma visão esculpida em luz e mistério. O vestido, de um corte impecável, abraçava sua silhueta alta e elegante com uma perfeição quase irreal, como se cada costura tivesse sido desenhada no próprio corpo dela com fios de ouro e brilho sutil. Sua maquiagem realçava a profundidade do olhar, e o cabelo perfeitamente alinhado a emoldurava como uma modelo estampando a capa da revista mais seletiva de Milão.
Por um instante, Nicola ficou completamente paralisado. Ele sempre considerara Caterina a mulher mais deslumbrante que conhecia, mas o que via ali, diante de seus olhos, superava qualquer padrão. Juliana transbordava a imponência e a graça de uma verdadeira deusa.
Percebendo o olhar fixo e a expressão quase em transe dele, Juliana arqueou levemente a sobrancelha e deu um passo para o lado, quebrando o feitiço:
— Entre!
Nicola piscou, tentando desesperadamente recuperar o controle dos próprios sentidos enquanto passava pela porta.
— Pensei que você já estivesse pronta!
Comentou ele, com a voz ligeiramente mais grave do que o normal.
— E estou, bom... quase.
Disse ela, caminhando até a sala.
— Só preciso colocar o colar e pegar a bolsa.
Sobre a mesa de centro, repousava uma caixa de veludo refinada. Dentro, sobre o forro escuro, reluzia uma peça espetacular de diamantes. Juliana pegou a joia delicadamente, virou-se para Nicola e a estendeu em sua direção.
— Coloque para mim, por favor? Tentei prender sozinha, mas o fecho é complicado.

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