— MINHA?
Valério ergueu as sobrancelhas, genuinamente ultrajado.
— Sim, sua!
Nicola apontou o indicador na direção do primo, a voz subindo de tom.
— Foi você quem veio com a ideia esdrúxula desse contrato absurdo.
— Eu dei a ideia de um acordo, Nicola!
Rebateu Valério, inclinando o corpo sobre a mesa, a voz firme.
— Mas a minha ideia jamais envolveu você se apaixonar pela mulher do contrato! A intenção era arrumar uma estranha qualquer, alguém totalmente fora do nosso convívio, e fingir por um ano. Mas não... de todas as mulheres do mundo, você foi escolher a sua funcionaria para ser sua falsa namorada. E o pior: acabou se apaixonando pela sua própria funcionária!
— Você sabe muito bem que eu não "escolhi" a Juliana!
Nicola vociferou, rindo com um amargor desesperado.
— O vovô fez aquela confusão toda, tirou conclusões precipitadas e achou que nós tínhamos algo. E isso só aconteceu por culpa da sua língua grande, que falou o que não devia antes da hora! Agora a família inteira idolatra a garota.
Valério encarou o primo por alguns segundos. Um sorriso de canto de boca se formou em seu rosto, carregado de uma certeza dolorosa.

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