O peso da mansão da família ainda parecia sufocar o peito de Nicola quando ele girou o carro para a outra direção. A ideia de voltar para o silêncio gélido do seu apartamento era insuportável. Precisava de ruído, de álcool, de qualquer coisa que dissipasse o fantasma do sorriso de Juliana que ainda flutuava em sua mente.
Com o celular no viva-voz, ele discou. O som da chamada ecoou pela cabine apenas duas vezes antes que a linha fosse atendida.
— Ainda está bancando o cavalheiro apaixonado?
Nicola disparou, o tom impregnado de um cansaço que tentava mascarar como deboche.
Do outro lado, a voz de Valério veio acompanhada pelo ruído característico de uma porta pesada se fechando.
— Já cumpri meu papel por hoje.
Disse Valério rindo.
— Acabei de sair da mansão dos Mancini. Por quê? Aconteceu alguma coisa?
— Deixei a Juliana em casa agora pouco.
Disse Nicola, batendo os dedos no volante de couro com impaciência.
— Mas não estou a fim de encarar as quatro paredes do meu apartamento agora. Vamos para o bar de sempre? Te espero lá em vinte minutos.
Valério soltou uma risada curta e seca, desprovida de humor real.
— E a Caterina? Você não tinha marcado de se encontrar com ela logo depois de deixar a Juliana?
— Hoje não!
Cortar a menção à Caterina fez a garganta de Nicola secar.
— Não estou com a menor cabeça para ela. Eu me entendo com a Caterina outro dia.
— A única "cabeça" que a Caterina quer esta noite é a que está entre as suas pernas, meu caro primo.
Debochou Valério, balançando a cabeça do outro lado da linha.

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