Depois de largar uma Juliana soltando fumaça pelas orelhas na porta de casa, Nicola acelerou seu carro e rumou para o próprio apartamento, provavelmente para treinar sua carranca no espelho. A semana seguinte não começou: ela simplesmente atropelou todo mundo. No Grupo Moretti, o setor de Relações Públicas virou um verdadeiro campo de batalha, e Juliana estava no olho do furacão. Entre planilhas do Excel que pareciam psicografadas em egípcio antigo, comunicados de imprensa urgentes e crises que surgiam do absoluto nada, ela mal teve tempo de piscar.
Para não surtar de vez, Juliana resolveu que a sobrevivência exigia doses cavalares de moscou mule. Integrou-se com louvor às tradições da equipe e engatou uma maratona de happy hours depois do expediente. Para melhorar o caos, teve a brilhante ideia de juntar a fome com a vontade de comer: apresentou sua melhor amiga de infância, a inimputável e imprevisível Isabel, para as colegas do departamento de RP. A química foi instantânea e o barulho também.
Quando as fofocas daquela aliança bombástica chegaram aos ouvidos de Nicola, a estrutura do homem abalou. Ele teve um miniataque cardíaco empresarial. Na cabeça engomada dele, Isabel não era uma pessoa, era um evento de nível cataclímico pronto para arruinar a imagem impecável de Juliana como sua nsmorada de fachada e, por tabela, do Grupo Moretti.
Na tarde de quinta-feira, enquanto Juliana tentava equilibrar um café morno e a digitação de um relatório, seu celular começou a vibrar como se quisesse pular da mesa. Na tela, o nome de Nicola reluzia como um aviso de tempestade. Ela mal teve tempo de soltar um "Alô" engasgado.
— Venha à minha sala imediatamente!
Esbravejou a voz do outro lado, com a delicadeza de um trator desgovernado.
E o clique brusco. Ele desligou na cara dela. Sem "por favor", sem "obrigado", sem um reles "até logo".
Juliana encarou a tela preta do aparelho por longos e incrédulos segundos, piscando devagar.
"Mas o que é isso, meu Deus? Que bicho mordeu esse homem? Será que a jibóia amarela não quis dá para ele ontem? Ele não transou, e agora quer descontar a raiva em mim?"
Pensou ela, sentindo o sangue subir para as bochechas.
"Ele acha que é o quê? O imperador da Roma Antiga? O dono da razão? Ah, mas ele vai ouvir umas verdades!"
Bufando, ela se levantou da cadeira, ajeitou a saia com um safanão e marchou em direção à imponente sala da presidência. Ao chegar lá, encontrou Romana, a lendária e inabalável secretária, impecavelmente postada em sua trincheira de papéis.

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