Ao cruzar o portal de madeira nobre que dava acesso ao suntuoso templo do poder, também conhecido como a sala da presidência do Grupo Moretti, Juliana deu de cara com Nicola. Ele estava estrategicamente posicionado atrás de uma mesa que provavelmente custara o PIB de um pequeno país europeu, folheando documentos com aquele ar dramático de quem carrega o destino da humanidade nas costas.
Ao notar a presença dela, ele levantou o queixo devagar, adotando sua melhor postura de "chefão de filme":
— Sente-se.
Antes mesmo que Juliana pudesse puxar o ar para protestar, Nicola saltou da cadeira como um felino em liquidação de estoque, passou por ela num vulto e escancarou a porta, assustando a secretária do lado de fora.
— Romana!
Anunciou ele para o corredor, com o tom de quem está prestes a declarar uma guerra mundial.
— Não quero ser interrompido sob hipótese alguma. Pode aparecer o Papa aqui. Pode o próprio São Pedro descer do céu com as chaves do paraíso. Você não deixa ninguém entrar! Estou numa reunião de extrema urgência e altíssima relevância corporativa.
Romana, que só queria terminar seu café em paz, piscou várias vezes, ajustou os óculos e respondeu no piloto automático:
— Sim, senhor.
Com um estalo seco, Nicola trancou a porta com a chave, girou nos calcanhares e caminhou de volta ao seu trono de couro legítimo. Ajeitou o paletó e sentou-se como o rei absoluto de um reinado de puro ego.
Juliana, afundada na poltrona do outro lado, cruzou os braços e o encarava com uma mistura de raiva e absoluto deboche.
— Pronto, Vossa Majestade Sr. Moretti. Já fechei a agenda para o seu show. O que você tem de tão vital para falar comigo?
Nicola juntou as mãos sobre a mesa, suspirou contrariado e soltou a bomba:

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