Às 23h30 em ponto, Nicola Moretti já batia cartão na porta da boate Milano, ostentando a paciência de um monge e a postura de um agente do FBI em missão secreta ele entrou sorrateiro na boate. Só às duas da manhã Juliana finalmente deu ar da graça de sair junto com a amiga da boate.
Quando Juliana já estava com a mão na maçaneta do carro da amiga, Nicola surgiu do nada, brotando como um fantasma de terno.
— Você volta comigo.
— O tom não aceitava réplica.
Juliana piscou duas vezes, tentando processar se aquilo era real ou alucinação alcoólica de um drink de fim de noite. Ela virou-se para a amiga, tentando manter a classe:
— Nicola, essa é a Isabel, aquela amiga de quem te falei. Eu vou voltar para casa com ela.
Nicola soltou um risinho debochado e vestiu sua melhor máscara de sociabilidade:
— Olá, Isabel. Pode ir tranquila, agora eu assumo e levo minha namorada para casa.
Antes mesmo que qualquer uma das duas reagisse, ele enganchou o braço no de Juliana e a rebocou em direção ao seu carro como quem transporta uma encomenda urgente. Isabel permaneceu congelada no meio-fio, piscando devagar, assistindo ao sequestro amigável da amiga sem saber se chamava a polícia ou se ia para casa.
Já devidamente trancafiada no banco do passageiro, Juliana explodiu:
— Nicola, larga de ser ridículo! Eu avisei que voltaria com a Isabel. O que você tá fazendo aqui, afinal? Não devia estar com a Caterina? Pensei que ela fosse a prioridade da sua vida, não eu!
— Eu disse que viria, não disse? Pois aqui estou
Rebateu ele, ajustando os espelhos com uma calma irritante.

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